Cláudio Mateus, CFO do Super Bock Group desde 2015, vai suceder a Rui Lopes Ferreira como CEO em 2027. A mudança chega numa altura em que o grupo mantém uma aposta activa em Angola, onde as marcas Super Bock e Cristal são produzidas pela Refriango desde 2021.
O Super Bock Group anunciou esta semana uma mudança na sua liderança executiva. Cláudio Mateus, actual Chief Financial Officer (CFO) do grupo, foi nomeado para suceder a Rui Lopes Ferreira no cargo de CEO, numa transição que se tornará efectiva na Assembleia Geral de 2027. O anúncio foi feito em comunicado da empresa, divulgado a 4 de Novembro de 2026.
Rui Lopes Ferreira deixará a liderança do grupo de bebidas após onze anos e três mandatos consecutivos. Segundo a empresa, os accionistas aceitaram a sua decisão de terminar a carreira executiva e concluir o seu ciclo na organização, desejando-lhe “as maiores felicidades pessoais e profissionais”. No comunicado, o grupo reconhece o seu contributo: “No exercício das suas funções, liderou com visão e grande sentido de responsabilidade, tendo o Grupo reforçado a sua posição de referência no sector e consolidado as suas marcas em Portugal e no estrangeiro”.
Um CFO que conhece a casa por dentro
Cláudio Mateus não é um recém-chegado ao Super Bock Group. É CFO da empresa desde 2015, o mesmo ano em que Rui Lopes Ferreira assumiu a presidência executiva. Antes de ingressar no grupo, iniciou a carreira como auditor sénior na Arthur Andersen e passou por cargos de direcção financeira em empresas como a Socitrel e a Chocolates Imperial.
A escolha por um gestor interno é, segundo o próprio comunicado da empresa, deliberada. Cláudio Mateus é descrito como “conhecedor da empresa, do setor e dos desafios” que o grupo enfrenta, e a nomeação “visa garantir uma transição tranquila e a continuidade do percurso definido para a organização”. O Super Bock Group não avançou mais detalhes sobre o processo de transição.
Uma mudança com eco em Angola
A sucessão na liderança do Super Bock Group tem também relevância directa para o mercado angolano, onde as marcas do grupo mantêm uma ligação histórica e emocional forte com os consumidores. Desde 2021, a Super Bock e a Cristal regressaram a Angola através de uma parceria com a Refriango, num investimento superior a 5 milhões de dólares destinado à produção local das duas marcas de cervejas.
Foi precisamente Rui Lopes Ferreira, o CEO agora em saída, quem assinou essa parceria em nome do Super Bock Group, afirmando então que ambas as marcas “sempre foram muito fortes e queridas” em Angola, e que retomar a actividade através da Refriango era motivo de satisfação, por as duas empresas partilharem “a mesma ambição e visão estratégica”. Do lado angolano, o CEO da Refriango, Diogo Caldas, descreveu a parceria como uma ponte para Angola e um caminho para o crescimento da economia e o desenvolvimento do país.
O regresso da Super Bock e da Cristal ao mercado angolano marcou o fim de uma pausa que se seguiu à retirada do grupo português, em 2019, depois de as vendas terem caído de forma acentuada durante a crise económica e financeira que então atravessava Angola, um recuo significativo face aos mais de 100 milhões de litros que a Super Bock chegou a exportar anualmente para o país, com um pico de 140 milhões de litros em 2009.
Com a mudança de liderança agendada para 2027, caberá a Cláudio Mateus garantir a continuidade desta aposta angolana, numa altura em que o Super Bock Group procura consolidar a presença das suas marcas internacionais em mercados lusófonos estratégicos.
Redacção: ola@targeting.ao





