A Visa anunciou uma actualização da sua identidade de marca, num artigo de posicionamento publicado no seu site corporativo. Ao contrário do reposicionamento “Meet Visa” de 2021, que introduziu um novo símbolo, paleta de cores e tipografia, substituindo o “V” dourado usado desde 2014, a própria empresa faz questão de delimitar o alcance desta mudança: o nome, o logótipo, o propósito e os valores da marca mantêm-se inalterados.
Segundo a Visa, o que evolui é a camada mais expressiva da marca. A tipografia, a imagética, a ilustração, o motion e o design digital. O objectivo declarado é tornar a presença da marca mais flexível e consistente entre produtos, marketing, parcerias, patrocínios e as novas formas de comércio que têm vindo a emergir.
A justificação da Visa para esta actualização assenta numa leitura das mudanças em curso no comportamento de compra. Segundo a empresa, o comércio deixou de acontecer num único canal, considerando que um produto pode ser descoberto no feed de um criador de conteúdo, explorado numa aplicação e comprado, finalmente, numa loja física. A isto soma-se o papel crescente da inteligência artificial, que já ajuda consumidores a pesquisar e comparar produtos, e que a Visa espera que assuma um papel ainda maior nas decisões de compra.
É aqui que surge o argumento mais distintivo deste refresh. A Visa fala explicitamente da necessidade de as marcas serem reconhecíveis não só pelas pessoas, mas também pela tecnologia, nomeadamente em interfaces operadas por inteligência artificial, num contexto que a empresa descreve como de “comércio agente” (agentic commerce), em que sistemas de IA actuam cada vez mais em nome dos consumidores.
A Visa enquadra esta mudança como mais um passo de uma trajectória que já dura mais de 60 anos: dos cartões físicos ao checkout, aos pagamentos contactless, ao comércio digital, e agora à inteligência artificial aplicada às compras. O desafio que a empresa diz querer resolver é o de permanecer familiar e reconhecível à medida que as formas de comprar e pagar continuam a mudar, carregando consigo décadas de confiança acumulada, sem que isso implique abandonar a identidade que a tornou reconhecível em primeiro lugar.
Redacção: ola@targeting.ao






