A plataforma de banco de imagens Getty Images, apresentou formalmente um pedido de protecção ao abrigo do Chapter 11 da lei de falências norte-americana, no tribunal de Delaware, numa tentativa de reestruturar uma dívida total que rondava os 2,1 mil milhões de dólares a 30 de Junho de 2026. O pedido, submetido através de oito entidades, a Getty Images Holdings, Inc. e seis subsidiárias, com processos administrados em conjunto, e surge depois de meses de sinais de alarme: o colapso de uma fusão histórica com a Shutterstock anunciada em Janeiro de 2025, a exclusão da bolsa de Nova Iorque e uma pressão competitiva crescente vinda da inteligência artificial generativa.
Segundo o documento 8-K submetido pela empresa à SEC (Securities and Exchange Commission), entidade reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, o pedido de Chapter 11 acelerou um conjunto específico de obrigações. Cerca de 40,1 milhões de dólares e 407 milhões de euros em empréstimos a prazo ao abrigo do contrato de crédito da empresa, 150 milhões de dólares em linhas de crédito renováveis, 539,9 milhões de dólares em notas seniores garantidas a 11,250% com vencimento em 2030, 264,7 milhões de dólares em notas seniores a 14% com vencimento em 2028, e 5,3 milhões de dólares em notas seniores a 9,750% com vencimento em 2027, um total de cerca de mil milhões de dólares em dívida denominada nesta moeda, à qual se somam os 407 milhões de euros em empréstimos a prazo.
Ao abrigo do plano de reestruturação, as acções ordinárias Classe A da Getty Images serão canceladas e extintas, incluindo as dos próprios accionistas maioritários, que não recebem nada pelas suas participações caso o plano seja confirmado pelo tribunal. Um acordo de apoio à reestruturação (RSA, na sigla em inglês) foi assinado a 12 de Outubro com os accionistas maioritários e detentores de parte da dívida da empresa, e a votação sobre o plano começou a 20 de Outubro, um dia antes da entrada formal do pedido em tribunal.
Na origem desta crise está, em boa parte, o falhanço da fusão com a Shutterstock, avaliada em 3,7 mil milhões de dólares. O negócio foi abandonado em Junho deste ano, depois de o regulador britânico da concorrência (CMA) exigir que a Shutterstock vendesse o seu próprio negócio editorial como condição para aprovar a operação. Segundo o presidente executivo da Getty, Craig Peters, a empresa gastou mais de 100 milhões de dólares em comissões profissionais e custos de financiamento ao longo de 18 meses de negociações que, no final, não deram em nada.
A crise financeira teve um reflexo imediato no mercado accionista: a Bolsa de Nova Iorque (NYSE) iniciou processos de exclusão em finais de Setembro, citando um preço de acção anormalmente baixo. A negociação foi suspensa, e as acções passaram a ser transaccionadas no mercado OTC a 30 de Setembro, dia em que caíram 69%, para 0,0147 dólares.
Para além da crise financeira pontual gerada pela fusão falhada, a Getty Images enfrenta uma pressão estrutural mais profunda. As ferramentas de inteligência artificial generativa têm perturbado o negócio da iStock, a sua marca de imagens de baixo custo, e reduzido a procura por parte de agências que, cada vez mais, recorrem a imagens geradas por IA em vez de bancos de imagens tradicionais.
Os números do segundo trimestre de 2026 reflectem esta pressão combinada: a receita caiu 2,5% em termos homólogos, para 229,1 milhões de dólares, enquanto o prejuízo líquido quase duplicou, de 34,4 milhões para 85,8 milhões de dólares. O número de subscritores anuais caiu de 321 mil, em Junho de 2025, para cerca de 241 mil um ano depois.
Redacção: ola@targeting.ao






