As quatro maiores tecnológicas do mundo encerraram, entre 28 de Outubro e 2 de Novembro, uma das rondas de resultados trimestrais mais aguardadas do ano. Todas superaram as expectativas de receita, impulsionadas pela computação em nuvem e pela inteligência artificial, mas os mercados reagiram com nervosismo crescente ao ritmo de investimento de capital que sustenta esse crescimento.
Alphabet supera, por primeira vez, os 100 mil milhões de dólares num trimestre
A Alphabet, casa-mãe da Google, foi a primeira a reportar, a 28 de Outubro. A receita consolidada do terceiro trimestre alcançou 127 mil milhões de dólares, um crescimento de 25% face aos 102 mil milhões do mesmo período de 2025, a 13ª vez consecutiva que a empresa regista crescimento de receita a dois dígitos. O destaque foi a Google Cloud, cuja receita disparou 103% para 30,7 mil milhões de dólares, superando largamente as estimativas dos analistas.
“Estamos entusiasmados com o leque de grandes oportunidades que temos à nossa frente”, afirmou Sundar Pichai, CEO da Google e da Alphabet.
Apesar dos números recordes, as acções da empresa chegaram a cair mais de 8% em negociação after-hours, em função do free cash flow que foi negativo em 9,07 mil milhões de dólares (o segundo trimestre consecutivo neste território), reflexo do investimento acelerado em infraestrutura de inteligência artificial.
Amazon: AWS cresce ao ritmo mais rápido em cinco anos
Um dia depois, a 29 de Outubro, foi a vez da Amazon. A receita total do terceiro trimestre fixou-se em 201,94 mil milhões de dólares, um aumento de 12,1% em termos homólogos, com um resultado operacional de 28,1 mil milhões de dólares, a maior margem operacional de sempre da empresa, de 13,9%.
O motor do crescimento voltou a ser a computação em nuvem: a receita da AWS subiu 39,3% para 45,98 mil milhões de dólares, o ritmo mais acelerado em quase cinco anos, elevando a taxa de receita anualizada para 184 mil milhões de dólares. O CEO Andy Jassy revelou ainda que a AWS acumula actualmente uma carteira de contratos (backlog) de 578 mil milhões de dólares, mais do dobro do valor registado um ano antes, e projectou um crescimento superior a 40% para a divisão, tanto em 2027 como em 2028.
“O nosso investimento em funcionalidade e infraestrutura da AWS está a funcionar, com um crescimento de receita homólogo superior a 39% no terceiro trimestre, (uma taxa de receita anualizada de 184 mil milhões de dólares) e taxas de crescimento de receita projectadas superiores a 40% tanto em 2027 como em 2028”, disse Jassy.
Ainda assim, as acções da Amazon caíram quase 7% após o anúncio, reflectindo a apreensão dos investidores face aos planos de investimento de capital para 2026, orçados em cerca de 220 mil milhões de dólares.
Apple fecha o ano fiscal com recordes, na primeira apresentação de John Ternus
A empresa reportou receita de 114,5 mil milhões de dólares no quarto trimestre fiscal (encerrado a 26 de Setembro), um crescimento de 12% em termos homólogos e um recorde para o trimestre de Setembro, tanto a nível de receita total como de receita do iPhone, com os serviços a atingirem também um máximo histórico.
Foi a primeira apresentação de resultados conduzida por John Ternus, que assumiu a liderança executiva da Apple a 1 de Setembro, sucedendo a Tim Cook.
“Hoje, a Apple tem o orgulho de reportar um recorde de receita para o trimestre de Setembro, de 114,5 mil milhões de dólares, um aumento de 12% em relação ao ano passado, com o iPhone a atingir um recorde para o trimestre de Setembro e os Serviços a atingirem um máximo histórico, encerrando o nosso melhor ano fiscal de sempre”, declarou Ternus. “Estamos a terminar o ano com a linha de produtos mais ambiciosa de sempre. Isso inclui o iPhone Duo, o iPhone mais transformador desde o original, juntamente com o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max, os nossos iPhones mais potentes”, concluiu.
Os resultados incluem apenas os primeiros nove dias de vendas do iPhone 18 Pro, lançado a 18 de Setembro; as vendas do iPhone Duo, que chegou ao mercado a 23 de Outubro, só serão contabilizadas no trimestre seguinte.
Microsoft confirma a tendência: nuvem e IA em alta
A Microsoft, que também reportou a 28 de Outubro, seguiu o mesmo padrão das concorrentes: receita trimestral recorde de 92,3 mil milhões de dólares, com o Azure a crescer 48% em termos homólogos, novo sinal de que a procura por serviços de cloud e inteligência artificial continua a acelerar entre as grandes tecnológicas.
Um sector dividido entre o crescimento e o custo da aposta em IA
O fio condutor desta ronda de resultados é claro: todas as quatro empresas bateram as expectativas de receita, com a nuvem e a inteligência artificial como principais motores. Mas os mercados financeiros têm vindo a mostrar-se cada vez menos tolerantes ao peso crescente do investimento de capital necessário para sustentar essa corrida, um debate que deverá marcar também a próxima época de resultados, já em 2027.
Redacção: ola@targeting.ao





