O tráfego de referência gerado pelo Google Pesquisar para sites de notícias e media caiu 40,2% entre Julho de 2025 e Julho de 2026, segundo o 2026 Publisher Playbook, o relatório anual da Chartbeat sobre o comportamento de audiências nos media digitais. A queda mais do que duplica a já registada no ano anterior, de 21,9%, e confirma uma tendência que os editores de notícias têm vindo a sentir há vários meses: a pesquisa deixou de ser a principal porta de entrada de leitores para os seus sites.
A quebra não se limita aos resultados de pesquisa tradicionais. O Google Discover, o feed de notícias personalizado da Google, registou uma queda ano a ano que passou de 6,6% para 34,3%, um agravamento ainda mais acentuado do que o da próprio Pesquisar. Em conjunto, os dois canais fizeram o peso da Google no total de pageviews dos editores recuar de cerca de 9%, em Julho de 2024, para apenas 5%, em Julho de 2026.
A Chartbeat, cuja rede é composta sobretudo por organizações de notícias e media, atribui a tendência aos resumos gerados por inteligência artificial nas páginas de resultados de pesquisa (os chamados AI Overviews e AI Mode) que respondem directamente às perguntas dos utilizadores sem que estes precisem de clicar para o site de origem. Segundo o relatório, são os artigos mais simples e genéricos os mais penalizados, por serem precisamente o tipo de conteúdo que a IA consegue resumir sem necessidade de visita à fonte.
Apesar da quebra nos canais da Google, o tráfego total dos editores manteve-se relativamente estável, cerca de 31,1 mil milhões de pageviews mensais entre Janeiro e Julho de 2026, face a cerca de 32 mil milhões em 2025. A explicação está nos leitores fiéis (definidos pela Chartbeat como quem visita o site em pelo menos 8 dos últimos 16), cujo volume de pageviews mensais cresceu ligeiramente, de 14,98 mil milhões para 15,02 mil milhões, compensando quedas de 14% entre novos leitores e de 8% entre leitores recorrentes.
Essa estabilidade esconde, no entanto, assimetrias relevantes entre editores. Dados da Axios citados no mesmo contexto apontam para que alguns meios de menor dimensão tenham perdido até 60% do seu tráfego de pesquisa ao longo de dois anos, um sinal de que a transição afecta de forma desigual grandes marcas de media, com audiências mais fidelizadas, e publishers mais pequenos, historicamente mais dependentes da pesquisa para gerar visitas.
Onde está a ir o tráfego perdido
Com o Google a perder peso, outros canais têm vindo a crescer na distribuição de tráfego dos editores. O chamado “dark social” (partilhas feitas em mensagens privadas e aplicações de mensagens, de difícil rastreio) subiu de 7,1% para 11,3% do total de pageviews em dois anos. O tráfego directo cresceu de 13,5% para 15,9%, e os links internos dentro dos próprios sites, de 37,9% para 40,4%.
Já as referências vindas de chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT ou o Gemini, continuam residuais: cresceram oito vezes em dois anos, mas representam ainda apenas 0,01% do tráfego total dos editores analisados pela Chartbeat, longe de compensar, para já, a quebra registada na pesquisa tradicional.
Factos rápidos
O tráfego da Google Pesquisar para editores de notícias caiu 40,2% entre Julho de 2025 e Julho de 2026, segundo a Chartbeat
A queda mais do que duplica a do ano anterior, que tinha sido de 21,9%
O Google Discover registou uma queda ainda maior, de 6,6% para 34,3% ano a ano
O peso da Google no total de pageviews dos editores caiu de ~9% para ~5% em dois anos
O tráfego total manteve-se estável graças aos leitores fiéis, que compensaram a queda de novos leitores e leitores recorrentes
Editores de menor dimensão foram os mais afectados, com perdas de até 60% em dois anos, segundo dados da Axios
“Dark social”, tráfego directo e links internos cresceram como alternativas à pesquisa
Referências de chatbots de IA ainda representam apenas 0,01% do tráfego total
Redacção: ola@targeting.ao






