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Diageo anuncia corte de mil milhões de dólares em custos nos próximos três anos

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A Diageo, maior produtora mundial de bebidas espirituosas, anunciou um plano para cortar cerca de mil milhões de dólares em custos ao longo dos próximos três anos, como parte de uma reestruturação mais ampla da empresa liderada pelo seu novo CEO, Dave Lewis.

O anúncio surge depois de a Diageo ter reportado uma queda de 2% nas vendas orgânicas no ano fiscal terminado a 30 de Junho de 2026, para 19,6 mil milhões de dólares, com o mercado norte-americano (o maior da empresa) a continuar a pesar sobre o desempenho global.

Segundo a companhia, a poupança de mil milhões de dólares deverá resultar sobretudo da reformulação do modelo operacional da empresa, com uma poupança estimada em 850 milhões de dólares, 40% já em 2027, com o restante em 2028, complementada por 150 milhões de dólares adicionais provenientes de melhorias na cadeia de abastecimento.

O próprio processo de reestruturação tem, no entanto, um custo elevado: a Diageo estima despesas de reestruturação na ordem dos 1,2 mil milhões de dólares, dos quais cerca de 70% já foram incorridos. Os custos de despedimento ascenderam a 514 milhões de dólares no ano fiscal, um valor muito superior aos 73 milhões de dólares registados no ano anterior. Segundo a Reuters, algumas equipas da empresa terão enfrentado reduções de até 30% dos seus efectivos.

O anúncio foi bem recebido pelos investidores. As acções da Diageo chegaram a subir 11% no dia da divulgação do plano, a maior valorização intradiária da empresa desde 2020. A reacção positiva reflecte a leitura do mercado de que Dave Lewis, que assumiu a liderança da Diageo em Janeiro de 2026, depois de uma passagem pela Tesco, e que ficou conhecido como “Drastic Dave” pelos cortes que promoveu anteriormente naquela cadeia e na Unilever, está a agir com rapidez para travar anos de vendas estagnadas ou em queda.

A par dos cortes de custos, a Diageo sinalizou uma mudança de estratégia comercial: em vez de continuar a apostar sobretudo em espirituosos premium, a empresa vai reforçar o investimento no seu portefólio mais alargado de marcas, incluindo cocktails prontos a beber (“ready-to-drink”) e a cerveja Guinness, numa tentativa de recuperar consumidores mais sensíveis ao preço, num contexto de consumo mais cauteloso a nível global.

A empresa reviu também em baixa as suas perspectivas de crescimento: em vez da meta anterior de 5% a 7% de crescimento a médio prazo, a Diageo passa a projectar um crescimento orgânico de dígito único baixo até ao ano fiscal de 2029.

A decisão da Diageo insere-se numa tendência mais ampla no sector global de bebidas, onde outros grandes grupos têm também anunciado reestruturações recentes. A Heineken anunciou em Fevereiro de 2026 o corte de até 6.000 postos de trabalho, e a Pernod Ricard lançou um plano para poupar mil milhões de euros até ao seu ano fiscal de 2029. O sector tem sido afectado por uma mudança nos hábitos de consumo, com destaque para o crescimento das bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool entre consumidores mais jovens, e pela persistência da pressão inflacionária sobre o poder de compra em vários mercados.

Redacção: ola@targeting.ao

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