A startup angolana WiConnect lançou oficialmente o Ping, uma aplicação de mensagens que promete resolver um dos principais obstáculos à comunicação digital em Angola: o custo dos dados móveis. Depois de três anos de desenvolvimento e um investimento superior a 400 mil dólares, o Ping chega ao mercado com uma proposta simples, enviar mensagens sem consumir saldo nem pacotes de internet.
A aplicação está disponível desde Setembro em fase beta e já soma 800 utilizadores nas primeiras quatro semanas de operação, segundo dados avançados pela empresa à Expansão.
O Ping assenta em acordos de zero-rating com as operadoras de telecomunicações, que permitem o tráfego da aplicação sem ser contabilizado como consumo de dados. Em vez de pagar por internet, o utilizador acumula “pings”, créditos necessários para enviar mensagens, ao visualizar anúncios de 20 segundos: cada anúncio visto dá direito a 20 pings, e cada mensagem enviada consome um ping.
O modelo de negócio é publicitário e foi comparado pela própria equipa ao da rádio tradicional. São as marcas que financiam a transmissão, “comprando” a atenção dos utilizadores e pagando em moeda nacional para alcançar um público que, de outra forma, estaria fora do alcance digital por falta de dados. A aplicação funciona em smartphones básicos e requer apenas ligação de rede, não acesso à internet propriamente dito.
Paulo Araújo, co-fundador e Director-Geral da WiConnect, situa o Ping num contexto de mercado concreto onde o custo dos pacotes de dados em Angola continua desproporcional face ao rendimento médio das famílias, e a taxa de penetração de banda larga móvel no país fica em torno dos 48%, ou seja, mais de metade da população ainda não tem acesso regular à internet móvel.
É precisamente esse hiato que o Ping procura preencher, posicionando-se não como mais uma rede social, mas como uma infra-estrutura de comunicação básica para quem não pode pagar dados todos os meses.
Na versão actual, o Ping permite apenas o envio de mensagens de texto. A equipa já confirmou, no entanto, planos para expandir a aplicação a áudio, imagens, vídeos e partilha de ficheiros, aproximando progressivamente o produto da experiência do WhatsApp ou do Telegram, as referências que o mercado angolano mais utiliza e às quais o Ping se propõe, a prazo, a fazer frente.
Além da vertente económica, a WiConnect sublinha a dimensão da soberania de dados. O Ping é desenvolvido, gerido e alojado inteiramente em Angola, um ponto que a empresa apresenta como vantagem estratégica num sector onde a maioria das aplicações de comunicação mais usadas no país são propriedade de grandes tecnológicas estrangeiras. A WiConnect foi também a primeira startup a receber o certificado do programa “Feito em Angola”, reconhecimento que reforça essa narrativa de produto genuinamente nacional.
Redacção: ola@targeting.ao





