A banca mundial registou, em 2025, o maior lucro da sua história, ao atingir 1,3 mil milhões de dólares, o equivalente a um crescimento de 7% face ao ano anterior. Apesar dos resultados históricos, um estudo da consultora internacional McKinsey alerta que a rápida expansão da inteligência artificial (IA), das fintechs e dos bancos digitais poderá alterar profundamente o equilíbrio do sector financeiro nos próximos anos.
Os dados constam da edição de 2026 do relatório Global Banking Annual Review, que destaca o forte desempenho financeiro dos bancos, mas alerta para sinais crescentes de transformação estrutural no mercado. Segundo a McKinsey, embora a banca continue a ser a indústria mais lucrativa do mundo, enfrenta actualmente um momento decisivo na relação com os clientes e na adopção de novas tecnologias.
De acordo com o relatório, os activos, depósitos e créditos geridos pelo sistema bancário mundial cresceram 6,5% em 2025, enquanto as receitas antes dos custos de risco aumentaram de 6,1 mil milhões para 6,4 milhões de dólares. Ainda assim, alguns indicadores começaram a revelar sinais de pressão. O retorno sobre o capital próprio tangível recuou de 12,4% em 2024 para 11,8% em 2025, reflectindo uma maior cautela dos investidores em relação às perspectivas de crescimento futuro do sector.
A principal ameaça identificada pela consultora é a crescente perda de influência dos bancos tradicionais sobre a relação com os clientes. As mil maiores fintechs do mundo já representam 17% das receitas combinadas do sector financeiro, acima dos 10% registados em 2021, evidenciando o rápido crescimento destas empresas tecnológicas.
O relatório destaca ainda o crescimento dos neobancos, instituições financeiras que operam exclusivamente em ambiente digital. O britânico Revolut alcançou 69 milhões de clientes, enquanto o brasileiro Nubank ultrapassou os 131 milhões de utilizadores, consolidando-se como uma das instituições financeiras mais valiosas da América Latina.
A McKinsey considera igualmente que a inteligência artificial poderá acelerar a transformação do sector bancário a um ritmo sem precedentes. Segundo a consultora, a adopção da inteligência artificial generativa está a ocorrer a uma velocidade significativamente superior à registada durante a expansão da banca digital, criando novas formas de prestação de serviços financeiros e alterando a forma como os clientes interagem com as instituições bancárias.
Perante este cenário, o estudo conclui que os bancos tradicionais terão de acelerar a modernização tecnológica e desenvolver novos modelos de negócio para preservar a sua competitividade num mercado cada vez mais dominado pela inovação digital.
Redacção: ola@targeting.ao


