Seis em cada dez consumidores a nível global não querem que as marcas recorram à inteligência artificial para antecipar os seus comportamentos ou intenções de compra. A conclusão consta da terceira edição do relatório The State of Marketing and AI, da plataforma de comunicação visual Canva, que analisa a percepção dos consumidores sobre a crescente utilização da IA na publicidade.
O estudo mostra que a resistência dos consumidores não está na utilização da tecnologia em si, mas na forma como esta é aplicada. Embora 70% dos inquiridos afirmem não se opor ao recurso à inteligência artificial nas campanhas publicitárias, a maioria rejeita que as marcas utilizem dados pessoais para prever hábitos de consumo ou influenciar decisões de compra.
A preocupação com a privacidade surge como um dos principais factores. Segundo a Canva, 80% dos consumidores gostariam de poder definir o grau de personalização dos anúncios, através de um mecanismo semelhante aos actuais controlos de privacidade. Além disso, mais de metade considera excessivamente invasivo receber publicidade que aparenta conhecer aquilo que pretende comprar antes mesmo de iniciar uma pesquisa.
O relatório revela igualmente que a confiança dos consumidores na utilização da inteligência artificial depende da existência de regras claras. Cerca de 70% afirmam que se sentiriam mais confortáveis com anúncios produzidos com recurso à IA se as empresas adoptassem políticas formais que regulassem a utilização desta tecnologia.
A investigação aponta ainda para uma transformação acelerada da publicidade digital. Sete em cada dez inquiridos acreditam que chegará um momento em que será impossível distinguir um anúncio criado por inteligência artificial de outro desenvolvido por humanos, sem uma identificação explícita. Destes, quase 60% estimam que esse cenário se concretize nos próximos dois a cinco anos.
Do lado das empresas, a adopção da IA já é uma realidade. O estudo indica que 90% dos profissionais de marketing utilizam actualmente ferramentas de inteligência artificial na produção de campanhas publicitárias. Ainda assim, os consumidores continuam a valorizar a criatividade humana: 85% consideram que os melhores anúncios precisam de um contributo humano para transmitir emoção e autenticidade.
Essa percepção é reforçada por outro dado do relatório. Cerca de 70% dos consumidores entendem que os anúncios gerados por inteligência artificial carecem de “alma”, enquanto quase dois terços consideram que esse tipo de conteúdo é facilmente identificável, ao ponto de, por vezes, parecer artificial ou pouco convincente.
Redacção: ola@targeting.ao


