A CARMON formalizou esta terça-feira, em Luanda, a sua Política de Igualdade de Género, durante o Fórum de Construção Inclusiva, iniciativa que assinalou os 19 anos de actividade da empresa e reuniu representantes do Governo, Nações Unidas e do sector da construção para debater a participação das mulheres na engenharia e em áreas maioritariamente masculinas. O TARGETING acompanhou o evento.
Durante a apresentação do diagnóstico interno, a empresa revelou que a representação feminina no quadro de pessoal evoluiu de 11%, em 2022, para 13% em 2026. Actualmente, a CARMON conta com 51 mulheres num universo de 399 trabalhadores, enquanto os homens representam 87% da força de trabalho, com 348 colaboradores.
Os indicadores apresentados mostram ainda que a empresa se posiciona dentro da média do sector da construção civil, onde a participação feminina varia entre 9% e 20%.
Ainda durante a sessão, foi divulgado que 50% dos cargos de liderança da empresa são ocupados por mulheres, valor superior à referência de 30% definida pelo Pacto Global das Nações Unidas para 2025. Já nas funções STEM (áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática) a participação feminina permanece nos 4%, abaixo da média mundial de 35% indicada pelas Nações Unidas.
Durante o fórum, a Presidente do Conselho de Administração da CARMON, Mayra Costa, afirmou que a adopção de uma Política de Igualdade de Género traduz o compromisso institucional da empresa com a promoção da igualdade de oportunidades e não apenas uma iniciativa associada às comemorações dos seus 19 anos.
A PCA associou este compromisso à adesão da empresa ao Pacto Global das Nações Unidas, ocorrida há cerca de dois anos. Segundo explicou, esse processo levou a CARMON a estruturar práticas que já integravam a cultura organizacional, sobretudo nas áreas dos direitos humanos, ética empresarial e desenvolvimento sustentável.
Mayra Costa defendeu que a diversidade constitui um factor de competitividade para as empresas, sustentando que equipas compostas por homens e mulheres oferecem perspectivas complementares na resolução de problemas e na tomada de decisões. Reconheceu, contudo, que persistem barreiras que limitam o acesso das mulheres a determinadas funções, sobretudo no sector da engenharia e da construção.
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Na sua intervenção, a Directora Executiva do Pacto Global das Nações Unidas em Angola, Eliana dos Santos, alertou que, ao ritmo actual, a igualdade económica entre homens e mulheres poderá demorar cerca de 150 anos a ser alcançada em África.
A responsável defendeu que a igualdade de género deve deixar de ser tratada apenas como uma questão de justiça social para integrar as estratégias de desenvolvimento económico, considerando que uma maior participação das mulheres contribui para ganhos de produtividade, inovação e crescimento.
Eliana dos Santos referiu ainda que Angola apresenta progressos na representação feminina em cargos políticos, com cerca de 40% dos assentos parlamentares ocupados por mulheres, mas continua a enfrentar desafios relacionados com o casamento precoce, a violência baseada no género e a reduzida presença feminina em posições de liderança económica.
Também presente no fórum, o Ministro da Construção Civil e Obras Públicas, Carlos Alberto da Silva Gregório dos Santos, destacou que o Plano Nacional de Desenvolvimento 2023-2027 prevê medidas para incentivar o ingresso de mulheres, sobretudo jovens, em profissões técnicas ligadas à construção, arquitectura e urbanismo.
O governante recordou que, em 2017, as mulheres representavam 26% do emprego formal no sector da construção civil, contra 74% de homens, defendendo que o aumento da participação feminina constitui um dos factores para tornar o sector mais inclusivo e responder às necessidades de desenvolvimento do país.



