O Governo angolano anunciou que prevê introduzir, de forma faseada, pelo menos mil autocarros eléctricos no sistema de transporte público do país, no âmbito do programa Ondjila Green. O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, na abertura da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit (AHTLS 2026), em Luanda.
A iniciativa resulta de um memorando de entendimento assinado entre o Ministério dos Transportes, o Fundo Soberano de Angola (FSA) e a OPAIA Motors, e integra a Estratégia Nacional de Electromobilidade, aprovada em 2024. Segundo a revista Mercado, é uma das maiores iniciativas de transição energética apresentadas até agora para o sector dos transportes em Angola.
Na primeira fase, o programa prevê também a instalação de 2.000 carregadores para veículos eléctricos em diferentes pontos do país, criando uma rede de apoio para autocarros e outros veículos eléctricos. Segundo Danilo Ventura, administrador executivo da OPAIA Motors, a rede de carregamento será construída por etapas, com os primeiros 240 postos a serem instalados sobretudo em Luanda.
Segundo o ministro Ricardo Viegas de Abreu, a introdução dos autocarros será feita por etapas e acompanhada pela expansão da infra-estrutura necessária para o carregamento e funcionamento dos veículos. A implementação faseada deverá também permitir testar modelos de operação, avaliar necessidades de manutenção e ajustar a distribuição da infra-estrutura de carregamento às necessidades efectivas dos operadores.
Segundo a Forbes África Lusófona, a rede de carregamento deverá permitir criar uma base de suporte para a circulação de veículos eléctricos em diferentes áreas do território nacional, contribuindo para que a adopção desta tecnologia não fique limitada a determinadas zonas urbanas. A expansão da rede poderá ainda abrir espaço para o desenvolvimento de novos serviços associados à mobilidade eléctrica, envolvendo operadores, investidores, empresas tecnológicas, prestadores de serviços e entidades públicas, nomeadamente actividades ligadas à instalação, operação, manutenção e gestão dos postos de carregamento.
Apesar da dimensão das metas anunciadas, a revista Mercado assinala que o sucesso do Ondjila Green vai depender sobretudo de três factores: a formação de técnicos especializados, a manutenção da frota eléctrica e um financiamento que continua por detalhar. Os primeiros projectos servirão, assim, de teste, os resultados no terreno deverão definir as condições das fases seguintes do programa.
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O anúncio do Governo surge num momento em que o sector privado já começou a avançar de forma autónoma na electrificação do transporte colectivo. Em Luanda, a Rosalina Express introduziu, desde Dezembro de 2025, 18 autocarros 100% eléctricos, quatro mini-autocarros e 14 autocarros com 40 lugares, adquiridos junto da fabricante chinesa Higer Bus Company Limited. Segundo Edgar Oseas, administrador da Rosalina Express, citado pelo Expansão, a empresa tem “a ambição de substituir os autocarros a combustão por uma frota completamente eléctrica”, com o objectivo de “provocar o efeito de contágio nos transportes”, sem avançar, no entanto, um calendário concreto.
A meta nacional para a mobilidade eléctrica é ambiciosa: Angola pretende ter 1,5 milhões de veículos eléctricos a circular até 2035.
Redacção: ola@targeting.ao




