A Netflix e a Globo anunciaram um acordo de licenciamento de conteúdos descrito pelas duas empresas como o maior já fechado entre ambas. No total, 18 produções originais da Globo (14 filmes, três telenovelas e uma série) vão passar a estar disponíveis na Netflix, com dobragem e legendas em vários idiomas. A chegada dos primeiros títulos está prevista a arrancar em Dezembro de 2026 e a prolongar-se até meados de 2027.
Entre os títulos já confirmados está “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Óscar de Melhor Filme Internacional em 2025, um dos maiores êxitos internacionais recentes do cinema brasileiro, que chega à Netflix em exclusivo para o mercado brasileiro. Junta-se-lhe “Vitória”, de Andrucha Waddington e protagonizado por Fernanda Montenegro, que terá, pelo contrário, distribuição mundial, uma escolha que sugere uma aposta da Globo em levar os seus nomes mais consagrados a um público global através da plataforma.
O pacote inclui ainda a telenovela “Êta Mundo Bom!”, que chegará aos Estados Unidos e à América Latina (excluindo o Brasil), e a comédia “Vai Que Cola”, com sete temporadas, reservada ao mercado brasileiro. Os restantes 14 títulos do acordo ainda não foram revelados pelas duas empresas.
Um dos aspectos mais relevantes do acordo é a forma como a distribuição varia de título para título, consoante o mercado: alguns ficam confinados ao Brasil, outros seguem apenas para os EUA e América Latina, e apenas um, por agora, tem alcance verdadeiramente global. Esta segmentação geográfica sugere uma lógica de negócio cuidadosa por parte da Globo, que continua a gerir o seu próprio serviço de streaming, o Globoplay, e terá interesse em não canibalizar a sua própria audiência com a chegada de conteúdo idêntico à concorrência directa.
Elisabetta Zenatti, Vice-Presidente de Conteúdo da Netflix no Brasil, disse esperar que este acordo seja “apenas o primeiro passo de uma parceria longa” entre as duas empresas, uma declaração que aponta para negociações futuras além deste pacote inicial de 18 títulos.
Do lado da Globo, Pedro Garcia, Director de Direitos, sublinhou o significado do acordo para a produção brasileira: “Faz-nos orgulho ver o interesse pelas produções brasileiras a crescer em diferentes mercados”.
O acordo surge depois de anos de conversas e parcerias pontuais entre as duas empresas, num contexto em que a Netflix tem reforçado a aposta em conteúdo local nos mercados onde opera, incluindo o Brasil, e em que a Globo tem procurado diversificar os seus modelos de distribuição além da televisão aberta e do Globoplay. O licenciamento de 18 títulos de uma só vez marca, no entanto, um salto de escala significativo face a colaborações anteriores entre as duas marcas.
Redacção: ola@targeting.ao






