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“Somos um operador global com presença local”: Iury Rodrigues explica a nova identidade da Imbono

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Por Targeting
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Depois de mais de uma década a construir, em Angola e noutros mercados emergentes, uma capacidade operacional que ia muito além do financiamento, o Grupo Gemcorp uniu a Gemcorp ICS e a Gemcorp Angola numa única entidade com identidade própria, a Imbono. Iury Rodrigues, Director de Marketing e Comunicação da Imbono, explica ao TARGETING a lógica por detrás da mudança de marca, o modelo de negócio que a distingue no mercado das infra-estruturas e a ambição que atravessa toda a estratégia do grupo, que passa por transformar a vida de mais de 100 milhões de pessoas até 2040.

Duas estruturas, uma só marca

A mudança de nome não nasce de um exercício de imagem, mas de uma necessidade identificada no terreno. “Percebemos que tínhamos duas estruturas, a Gemcorp ICS e a Gemcorp Angola, a fazer partes complementares do mesmo trabalho, e que fazia sentido uni-las numa única entidade”, explica Rodrigues. Mais do que uma fusão administrativa, a Imbono surge para responder a um problema que o grupo diz conhecer bem: “projectos que são financiados, mas que nunca chegam a ser plenamente entregues”.

“Precisávamos de uma marca que deixasse claro ao mercado que não somos apenas investidores, somos quem desenha, constrói e opera”, afirma o director de marketing, sublinhando que a Imbono continua a fazer parte do Grupo Gemcorp, sendo o seu braço operador, ao lado da Gemcorp Capital, o braço investidor, mas passa agora a ter voz e posicionamento próprios, reflectindo aquilo que a empresa faz efectivamente no terreno.

A nova marca foi pensada, segundo Rodrigues, para transmitir “confiança e compromisso com a conclusão” a três públicos distintos. Aos governos, a mensagem é a de um parceiro que não abandona os projectos a meio; aos investidores, a de que o capital se transforma em activos que funcionam e geram valor a longo prazo; às comunidades, a garantia de que a empresa está para ficar, com equipas recrutadas nos próprios mercados onde opera. “A síntese é simples”, resume. “Somos um operador global com presença local”.

“A Imbono conta com cerca de mil colaboradores directos e aproximadamente dez mil pessoas a trabalhar indirectamente através de empreiteiros, muitas delas angolanas e das próprias comunidades onde os projectos acontecem”. Iury Rodrigues, Director de Marketing e Comunicação da Imbono.

Essa missão tem uma meta concreta associada que significa entregar soluções integradas e de alto impacto que ampliem o acesso a serviços essenciais, em áreas como água, energia, alimentos, saúde, educação e infra-estruturas, combinando execução operacional, presença local, parcerias estratégicas e capital sustentável. “A nossa ambição de impactar 100 milhões de pessoas até 2040 não é um slogan à parte do negócio é a medida de sucesso do próprio negócio”, afirma Rodrigues.

“Uma infra-estrutura que não serve as pessoas não é sustentável, nem social nem financeiramente. Se uma estação de tratamento de água não funciona, não gera receita nem impacto. Por isso, o nosso modelo foi desenhado para que o retorno dependa precisamente da operação bem-sucedida e de longo prazo dos activos”. Iury Rodrigues, Director de Marketing e Comunicação da Imbono.

Um modelo integrado, do financiamento à operação

Questionado sobre o que distingue o modelo da Imbono de outros operadores do mercado, Rodrigues aponta directamente para a fragmentação que caracteriza, na sua leitura, grande parte do sector das infra-estruturas. “Normalmente, no ciclo de um projecto há um financiador, um empreiteiro, um operador e muitas vezes um consultor, cada um com interesses e horizontes diferentes. Quando algo corre mal, a responsabilidade dilui-se”, explica.

O Grupo Gemcorp, propõe-se acompanhar cada projecto desde a originação e o financiamento, com a Gemcorp Capital, até à construção, à entrada em funcionamento e à gestão de longo prazo, a cargo da Imbono enquanto braço operado. “Isto significa que somos responsáveis pelo resultado final, e não apenas por uma parte do processo”, sublinha o director, acrescentando que a presença permanente da empresa no terreno lhe dá “uma leitura real e actualizada dos mercados, das comunidades e das oportunidades”.

É desse modelo owner-operator, que une no mesmo grupo o investidor (Gemcorp Capital) e o operador (Imbono). Iury Rodrigues extrai as principais vantagens competitivas da Imbono: menor risco de conclusão e desempenho, porque quem investe é também quem opera; sustentabilidade operacional, já que a empresa garante que a infra-estrutura continua a funcionar depois de entregue; coerência de decisão, porque as escolhas feitas na fase de desenho já têm em conta os custos da operação futura; e, por fim, o conforto que esse modelo dá a governos, fundos soberanos e investidores internacionais, por saberem que existe uma única entidade responsável do princípio ao fim. “A Refinaria de Cabinda é um bom exemplo disso”, remata.

Quatro verticais, com Angola como centro de gravidade

A actuação da Imbono organiza-se em quatro grandes verticais (Energia, Água, Infra-estruturas e Alimentação), às quais se somam as infra-estruturas sociais, como a saúde, e o fornecimento de bens e serviços essenciais. Angola, diz Rodrigues, é “o nosso principal hub operacional em África”, e é a partir do país que se projecta grande parte da actividade da empresa no continente.

As prioridades de investimento partem, segundo o director, de uma pergunta central: “onde é que um projecto resolve uma necessidade estrutural e pode ser operado de forma sustentável?” Essa lógica leva a Imbono a privilegiar certos sectores que reforçam a resiliência económica dos países onde actua, desde segurança energética, acesso a água potável, segurança alimentar e projectos em que o seu modelo integrado “acrescenta valor real face a alternativas mais fragmentadas”.

Da Refinaria de Cabinda ao Quilonga Grande

Entre os projectos mais emblemáticos da Imbono em Angola, Iury Rodrigues não hesita em destacar a Refinaria de Cabinda, a primeira construída no país desde a independência, com

uma capacidade inicial de 30 mil barris por dia e uma segunda fase já em investimento. “É um projecto com impacto directo na soberania energética do país”, afirma.

No sector das águas, o responsável aponta a Estação de Tratamento de Água do Luongo, os projectos de combate à seca no Cunene e o PROSAH, na província do Huambo, que juntos totalizam um investimento de 129,3 milhões de dólares que beneficiará mais de 720 mil pessoas. A estes soma-se o Quilonga Grande, projecto com potencial para impactar mais de cinco milhões de pessoas, o Quizenga, a intervenção no Hospital Américo Boavida e o PCESSA, no Cunene e na Huíla. “São projectos muito diferentes entre si, mas com um denominador comum: serviços essenciais que chegam às pessoas”, resume.

“A mudança nasce de uma evolução natural do nosso percurso. Ao longo de mais de uma década, o Grupo Gemcorp construiu em Angola e noutros mercados emergentes uma capacidade operacional que ia muito além do financiamento. Percebemos que tínhamos duas estruturas, a Gemcorp ICS e a Gemcorp Angola, a fazer partes complementares do mesmo trabalho, e que fazia sentido uni-las numa única entidade com identidade própria. Precisávamos de uma marca que deixasse claro ao mercado que não somos apenas investidores, somos quem desenha, constrói e opera”. Iury Rodrigues, Director de Marketing e Comunicação da Imbono.

Para Iury, o impacto mais visível destes projectos é, acima de tudo, o acesso. “Quando uma família no Huambo ou no Cunene passa a ter água tratada perto de casa, isso muda a saúde das crianças, o tempo que as mulheres e as raparigas dedicam a ir buscar água, a frequência escolar e a capacidade de desenvolver pequenas actividades económicas”, descreve. Nas energias, sublinha, uma refinaria nacional significa maior segurança no abastecimento de combustíveis e menor dependência de importações; na saúde, melhores condições hospitalares traduzem-se, segundo Rodrigues, em melhor atendimento às populações.

Uma plataforma pan-africana em expansão

Angola é, nas palavras de Iury Rodrigues, “o nosso centro de gravidade em África”, mas a presença do grupo estende-se já a outros mercados. Na região austral, a empresa acompanha também a Namíbia, e o grupo abriu recentemente um escritório na República Democrática do Congo, numa altura em que recebeu ainda uma delegação da República do Congo, o que o director lê como sinal do “interesse crescente de outros países no nosso modelo”. Fora do continente africano, a Imbono deu já alguns passos que assinalam a sua entrada na América Latina, mantendo a sede em Dubai, de onde articula a sua presença no Médio Oriente.

Operar como plataforma pan-africana integrada traz, segundo Rodrigues, sinergias concretas, desde aprendizagem acumulada, que transforma o que a empresa aprende a construir em Angola em conhecimento replicável noutros mercados com desafios semelhantes; escala na cadeia de fornecimento, que permite negociar e mobilizar equipamentos e serviços de forma mais eficiente; vantagem de capital, através do apoio da Gemcorp Capital e da sua experiência em crédito privado em mercados emergentes; e credibilidade institucional, já que um track record comprovado num país “abre portas junto de governos e parceiros noutros”. Ainda assim, o responsável é claro quanto ao ritmo da expansão: “será feita de forma criteriosa, entramos onde podemos garantir presença permanente no terreno e onde o nosso modelo integrado resolve problemas concretos”.

Questionado sobre como a Imbono equilibra o retorno financeiro com a geração de impacto socioeconómico, Iury Rodrigues rejeita a ideia de que estes dois objectivos estejam em tensão. “Uma infra-estrutura que não serve as pessoas não é sustentável, nem social nem financeiramente”, afirma. “Se uma estação de tratamento de água não funciona, não gera receita nem impacto”, complementa.

É por isso, explica, que o modelo da empresa foi desenhado para que o retorno dependa precisamente da operação bem-sucedida e de longo prazo dos activos. “Investimos com disciplina financeira, mas em sectores críticos para o desenvolvimento, como a água, a energia e a alimentação”, sublinha, fixando, mais uma vez, a meta de 100 milhões de pessoas até 2040 não como um compromisso paralelo ao negócio, mas como a própria medida do seu sucesso.

“A nossa missão é entregar soluções integradas e de alto impacto que ampliem o acesso a serviços essenciais, combinando execução operacional, presença local, parcerias estratégicas e capital sustentável. E temos uma ambição muito concreta de transformar a vida de mais de 100 milhões de pessoas até 2040, através do acesso a água, energia, alimentos, saúde, educação e infra-estruturas”. Iury Rodrigues, Director de Marketing e Comunicação da Imbono.

Capacitação local e ESG como critério de decisão

A capacitação local é, para Iury Rodrigues, “estrutural” no modelo da Imbono, pela razão simples de que um operador de longo prazo precisa de equipas locais competentes. A grande maioria dos quadros da empresa vem, segundo o director, dos mercados onde opera, e os projectos privilegiam a contratação de mão-de-obra local e a formação no próprio terreno, para que as competências técnicas de operação e manutenção fiquem no país. A empresa diz investir também no desenvolvimento de lideranças locais, da engenharia às funções corporativas, e trabalhar com empreiteiros e fornecedores nacionais para fortalecer o tecido empresarial local. “O objectivo é que cada projecto deixe, além da infra-estrutura, pessoas mais qualificadas”, afirma.

As questões ambientais, sociais e de governança (ESG) seguem, segundo Iury Rodrigues, a mesma lógica de integração nas decisões da empresa. Na dimensão ambiental, a Imbono avalia impactos desde a fase de concepção, procurando soluções mais eficientes no uso de recursos, “particularmente relevante em projectos de água e de energia”. Na dimensão social, o critério central é o acesso, apoiado ainda por programas de responsabilidade social desenvolvidos através da plataforma Kuena. Na governança, a empresa afirma operar com padrões internacionais de transparência e conformidade, coerentes com o facto de trabalhar com investidores globais, fundos soberanos e governos. “ESG não é para nós um relatório anual, é um critério de decisão”, declara.

Olhando para os próximos anos, o gestor reafirma a meta que atravessa toda a estratégia da Imbono: transformar a vida de mais de 100 milhões de pessoas até 2040. Em Angola, a prioridade é consolidar os projectos em curso, avançar com a segunda fase da Refinaria de

Cabinda e continuar a reforçar a resposta nas áreas das águas, energias e segurança alimentar. No resto do continente África, o objectivo é levar o modelo integrado de investidor-operador do Grupo a novos mercados, mantendo a mesma lógica de presença permanente no terreno.

“Queremos ser reconhecidos como o parceiro de referência para governos e investidores que precisam de garantir que os projectos estratégicos são concluídos e funcionam”, afirma Iury Rodrigues. E deixa uma última nota sobre o desafio que, no fundo, resume toda a proposta de marca da Imbono: “Ao nível da comunicação, o desafio é construir uma marca que seja sinónimo de entrega e de confiança, em Angola, em África e nos restantes mercados emergentes onde estamos presentes”.

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