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Vanilson Viegas: da rua à moda que já vestiu Rema e P-Square

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Por Targeting
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Há histórias de negócio que nascem de um plano de investimento cuidadosamente desenhado. A de Vanilson Viegas nasceu de uma vontade simples: ter peças de roupa que via na internet e não conseguia comprar. Hoje, essa vontade tem nome e marca própria. A Vieg Yuro veste artistas internacionais e figuras públicas angolanas, e transformou um jovem autodidacta numa das vozes mais proeminentes do design angolano contemporâneo.

“Sempre quis ser livre e trabalhar com algo de que gostasse muito.”

Uma infância marcada pela rua

De poucas palavras, Vanilson descreve-se como “um jovem sonhador que ama moda, bastante ousado, que diz sempre o que pensa, é simpático com quem o é e se preocupa com o próximo”. Por trás dessa descrição directa está um percurso que não foi fácil. O estilista recorda uma infância e adolescência marcadas pela vida nas ruas, um contexto turbulento que, longe de o travar, reforçou a determinação de construir um caminho próprio. Foi essa vontade de liberdade que o conduziu à moda, ainda aos 22 anos.

De um desejo pessoal a uma marca

A marca Vieg Yuro nasceu, segundo conta o próprio Vanilson, de uma frustração banal: a de não conseguir adquirir as peças que admirava online. “Comecei a criar e a mandar fazer”, explica, descrevendo um processo que começou quase como um exercício pessoal e foi ganhando forma à medida que mais pessoas o incentivavam a seguir esse caminho de forma profissional. Fundada em 2015, em Luanda, a marca cresceu assente nessa mesma lógica artesanal, fazer o que não encontrava feito por outros.

Essa essência inicial (a busca do diferente) continua a ser a base criativa da Vieg Yuro. Criatividade e ousadia distinguem a marca no panorama da moda angolana e constituem, segundo Vanilson, a identidade estética que lhe permitiu consolidar um espaço próprio e reconhecido no mercado. As inspirações para as colecções surgem de forma espontânea, a partir de vivências e referências visuais do quotidiano, traduzindo-se em peças que fundem ousadia estética e identidade cultural. “Ninguém consegue fazer como nós; no máximo, tentam imitar o que criamos”, declara, numa afirmação que resume a confiança que hoje deposita na marca.

Vanilson Viegas: da rua à moda que já vestiu Rema e P-Square

Essa identidade tem viajado para além de Angola: a Vieg Yuro já apresentou colecções em palcos internacionais, como a Florida Men’s Fashion Week, em Miami, descrita pela organização do evento como uma montra emergente de moda masculina internacional focada em diversidade cultural. A marca é hoje apresentada como streetwear angolano “bold, future-forward”, que cruza moda, arte e identidade cultural africana, com presença que já se estende a Luanda, Miami, Nova Iorque e Europa.

Os números de uma marca financeiramente sustentável

O arranque, recorda Vanilson, exigiu um investimento modesto (entre 50 e 100 mil kwanzas), mas o crescimento veio com a ambição. “Depois de alguns anos, o investimento já ultrapassava os 20 milhões, e continuamos a investir”, revela. A aposta compensou: hoje, a Vieg Yuro regista um volume de vendas anual superior a 30 milhões de kwanzas, com a comercialização de 600 a 1.000 peças por ano. A marca é financeiramente sustentável desde o segundo ano de operação.

Um dos produtos mais lucrativos da história da marca foi um casaco avaliado em dois milhões de kwanzas, peça que simboliza um posicionamento assente na exclusividade e na valorização da produção local, e que ajudou a Vieg Yuro a alcançar um patamar de preços acima da média do mercado nacional.

Rema, P-Square e a ex-primeira-dama de Angola: o reconhecimento que ultrapassa fronteiras

O reconhecimento da Vieg Yuro já não se mede apenas pelo volume de vendas. A marca conquistou um lugar no ranking dos melhores designers africanos e teve a oportunidade de vestir artistas internacionais como Rema e P-Square, nomes que colocam a Vieg Yuro no radar de um público muito além de Angola. A estes marcos junta-se a venda de peças exclusivas à ex-primeira-dama de Angola, um sinal da penetração da marca junto de figuras públicas de destaque no país.

Questionado sobre o processo de internacionalização, Vanilson é realista quanto ao que falta percorrer, mas optimista quanto ao que já foi feito. “Temos um caminho longo a percorrer, mas o desempenho de notoriedade por onde já passamos tem sido muito positivo”, realça.

De uma adolescência vivida nas ruas de Luanda a vestir artistas internacionais e figuras públicas angolanas, a trajectória de Vanilson Viegas confirma o seu estatuto como uma das figuras de destaque da moda angolana contemporânea. E se a Vieg Yuro já provou que consegue competir fora de portas, a ambição do seu fundador mantém-se simples, como no primeiro dia: continuar a criar o que mais ninguém consegue fazer.

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