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MSTelcom passa a chamar-se Mercury: a transformação estratégica que reposiciona o braço tecnológico da Sonangol

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Por Targeting
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O maior evento nacional de tecnologia e inovação serviu de palco para um dos momentos mais simbólicos do sector das telecomunicações em Angola nos últimos anos. Durante a edição 2026 do ANGOTIC, realizada em Luanda entre 11 e 13 de Junho, a MSTelcom anunciou oficialmente o fim de uma sigla com quase três décadas de história (Mercury Telecommunication Services) e o início de uma nova identidade: a empresa passa a chamar-se simplesmente Mercury.

Mais do que uma mudança de nome, o rebranding sinaliza uma reconfiguração profunda no posicionamento da empresa, na sua relação com a casa-mãe Sonangol e na forma como pretende competir num mercado de telecomunicações e serviços digitais em acelerada transformação.

A mudança de marca é também expressão de uma reconfiguração na relação entre a Mercury e a sua accionista. O Grupo Sonangol está a adoptar uma postura de investidor estratégico, afastando-se da gestão directa das suas subsidiárias, e confia agora à Mercury a responsabilidade de gerir o seu próprio destino no mercado das telecomunicações e dos serviços digitais. Trata-se de um movimento que acompanha a tendência mais ampla de reorganização do portefólio da petrolífera nacional, que tem progressivamente separado o seu núcleo de negócio petrolífero das actividades das suas participadas tecnológicas e de serviços.

Francisco Pinto Leite, PCE da Mercury, referiu que esta mudança numa representa “a evolução de uma empresa que pretende assumir um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento da economia digital em Angola”. O responsável reforça que “num momento em que a conectividade, os dados, a cloud, a cibersegurança e as infra-estruturas digitais se tornaram activos estratégicos para organizações e países, a Mercury nasce com a ambição de responder a estes desafios com maior escala, capacidade e visão de futuro.”

A Mercury apresenta uma proposta de valor reformulada, assente em três pilares: criar, integrar e gerir soluções digitais que simplifiquem a operação dos clientes, aumentem a sua competitividade e acelerem a sua transformação digital. O posicionamento é claro: a empresa quer ser reconhecida como parceira de transformação digital para empresas e instituições, e não apenas como fornecedora de infraestrutura de telecomunicações.

Esta reorientação estratégica ganha sentido quando analisada à luz do mercado onde a Mercury opera. Fundada em 1997 e licenciada pelo Instituto Angolano das Comunicações (INACOM) em 2003 como operadora de telefonia fixa, a empresa construiu ao longo de duas décadas uma posição dominante no segmento empresarial. Os dados do INACOM confirmam essa hegemonia: a Mercury detém uma quota próxima de 83% do mercado de telefonia fixa no segmento corporativo, uma liderança destacada que reflecte a sua estratégia historicamente orientada para o negócio corporativo e, em particular, para o sector petrolífero.

O mercado business-to-business (B2B) continuará a ser o eixo central da Mercury. A empresa não abandona o terreno onde domina (serve bancos, empresas privadas de grande dimensão, instituições governamentais e, naturalmente, o sector petrolífero), mas quer ampliar a base e a profundidade da sua oferta dentro desse segmento.

A estratégia de expansão passa também por parcerias de infraestrutura de grande escala. A Mercury assinou um acordo de colocation (aluguer de infraestrutura de dados) com a Africell. O movimento é revelador: ao oferecer os seus activos físicos como serviço a outros operadores, a Mercury transforma infraestrutura em receita recorrente e consolida o seu papel como plataforma tecnológica de suporte ao ecossistema digital angolano.

No serviço de internet fixa, a empresa reconhece uma participação ainda residual face aos grandes operadores do mercado. Esse ponto de fraqueza é, ao mesmo tempo, um espaço de crescimento, e a nova identidade parece querer endereçá-lo, ainda que de forma gradual e sem abandonar a especialização que a distingue.

O timing do rebranding não é aleatório. O ANGOTIC 2026, realizado sob o lema “Na Rota da Transformação Digital”, reuniu representantes do Governo, empresas, especialistas e estudantes num momento em que Angola procura acelerar a sua agenda digital. O ministro Mário Oliveira, na sessão de abertura, reforçou o compromisso do Executivo com a promoção da inovação, da inclusão digital e do fortalecimento do ecossistema tecnológico nacional.

Lançar uma nova marca neste fórum, perante este público e com este enquadramento político, é uma escolha estratégica de comunicação. A Mercury não se apresentou apenas ao mercado, apresentou-se ao estado, aos parceiros e à opinião pública como empresa alinhada com a narrativa de modernização do país.

A nova identidade preserva o legado da MSTelcom, mas projecta-o para uma fase de crescimento, modernização e criação de valor. A ambição declarada é contribuir para um ecossistema tecnológico mais robusto, inclusivo e preparado para os desafios do futuro, linguagem que ecoa os objectivos do Plano de Desenvolvimento Nacional e da estratégia de diversificação económica de Angola.

A Mercury chega a este momento com quase trinta anos de operação, uma infraestrutura nacional alargada (redes de microondas, fibra óptica e satélite) e pontos de presença internacionais em Londres e Lisboa. É uma empresa com activos reais, clientes de referência e uma posição de mercado sólida no segmento que escolheu servir.

O que muda, com o novo nome e a nova estratégia, é a ambição. A empresa que nasceu para servir a Sonangol e o sector petrolífero quer agora ser reconhecida pelo que pode oferecer a qualquer empresa ou instituição que precise de acelerar a sua transformação digital. É uma aposta exigente, num mercado competitivo, mas assente numa base que poucos concorrentes podem replicar.

Redacção: ola@targeting.ao

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