A OpenAI está a acelerar o uso de agentes de Inteligência Artificial (IA) no trabalho dos seus investigadores, numa transformação que já está a alterar a forma como a empresa desenvolve modelos, escreve código e realiza experiências de investigação.
De acordo com dados divulgados pela empresa, o uso de agentes de programação pelos investigadores aumentou significativamente ao longo de 2026. Em meados de Agosto, o investigador mediano da organização já utilizava estas ferramentas diariamente, com um consumo superior a 600 dólares por dia em capacidade de processamento, calculado aos preços da API.
Entre os utilizadores mais intensivos, os valores são ainda mais elevados. O investigador situado no percentil 90 de utilização ultrapassa actualmente os 7.000 dólares por dia em tokens.
A OpenAI afirma que os agentes não estão apenas a permitir aos investigadores escrever código mais rapidamente, mas também a executar tarefas cada vez mais complexas e a realizar um maior número de experiências. Segundo a empresa, estes resultados são compatíveis com a percepção interna de que as ferramentas baseadas em agentes estão a contribuir para acelerar o progresso da investigação.
Apesar do avanço, a empresa esclarece que os investigadores continuam a definir as prioridades, avaliar os resultados e decidir quais projectos devem avançar, ser ampliados, suspensos ou interrompidos.
A OpenAI pretende levar esta evolução mais longe, com o desenvolvimento de um investigador de Inteligência Artificial automatizado capaz de executar tarefas de investigação sob supervisão humana.
A empresa considera ter alcançado a meta anunciada no ano passado de disponibilizar, até Setembro de 2026, um sistema semelhante a um “estagiário de investigação”. A tecnologia é definida como um sistema capaz de realizar tarefas de investigação bem delimitadas sob orientação humana, incluindo trabalhos que poderiam exigir vários dias de um investigador qualificado.
O próximo objectivo está previsto para Março de 2028, altura em que a OpenAI pretende avançar para um sistema capaz de desempenhar funções mais próximas de um investigador de IA automatizado.
A iniciativa está relacionada com o conceito de Recursive Self-Improvement (RSI), ou autoaperfeiçoamento recursivo, que poderá permitir que sistemas de IA contribuam para acelerar o próprio desenvolvimento de novas capacidades.
Segurança continua no centro da estratégia
A empresa reconhece, entretanto, que sistemas mais avançados também podem apresentar maiores desafios de monitorização e controlo. Por esse motivo, defende que o desenvolvimento de capacidades deve ser acompanhado por medidas de segurança e alinhamento.
Após o recente incidente envolvendo a plataforma Hugging Face, a OpenAI afirma ter suspendido temporariamente o treino por reinforcement learning de alguns dos seus modelos destinados à implementação, enquanto reforçava os ambientes de investigação, os testes de segurança e os sistemas de monitorização.
Segundo a empresa, a investigação automatizada poderá também contribuir para resolver problemas relacionados com o alinhamento da IA e desenvolver mecanismos de defesa contra sistemas autónomos potencialmente perigosos.
A OpenAI defende ainda que o progresso em direcção ao RSI deve ser acompanhado publicamente, através da divulgação de métricas e informações que permitam compreender a evolução dos sistemas de IA mais avançados.
A empresa reconhece, contudo, que a criação de sistemas capazes de acelerar o próprio desenvolvimento levanta questões sobre segurança, controlo humano e governação da Inteligência Artificial.
Redacção: ola@targeting.ao


