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Apple tem novo CEO: John Ternus assume hoje a liderança, encerrando a era Tim Cook

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Por Targeting
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John Ternus tornou-se hoje, 1 de Setembro, o novo Presidente Executivo (CEO) da Apple, sucedendo a Tim Cook após 15 anos à frente da empresa. A transição, anunciada em Abril deste ano e aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração, marca o fim de uma das lideranças mais bem-sucedidas, e mais escrutinadas, da história recente da tecnologia.

Uma década e meia de crescimento recorde

Quando Tim Cook assumiu o cargo, em Agosto de 2011, sucedendo a Steve Jobs, a Apple valia cerca de 350 mil milhões de dólares. Encerra este capítulo com uma capitalização bolsista próxima dos 4,6 mil milhões de dólares, um crescimento superior a dez vezes. As acções da empresa valorizaram entre 2.200% e 2.700%, consoante a métrica utilizada (com ou sem reinvestimento de dividendos), muito acima do desempenho do índice S&P 500 no mesmo período.

Os números operacionais acompanham essa trajectória. A receita da Apple cresceu cerca de 330% desde 2011, e o lucro bruto mais de 400%. Só no terceiro trimestre fiscal de 2026, terminado a 27 de Junho, a empresa facturou 109 mil milhões de dólares (mais 16% do que no ano anterior), com recordes de vendas trimestrais em iPhone, Mac e serviços, e crescimento em todas as regiões geográficas onde opera.

Um dos pilares mais relevantes do legado de Cook foi precisamente a construção do negócio de serviços (Apple Music, Apple TV+, iCloud+, Apple Fitness+ e Apple Arcade, entre outros), que gera hoje mais de 100 mil milhões de dólares por ano, com margens superiores às do hardware. A par disso, Tim Cook liderou a transição da Apple para os seus próprios processadores (Apple Silicon), reduzindo a dependência da empresa da Intel, e introduziu novas categorias de produto que se tornaram fontes de receita relevantes, como o Apple Watch (2015) e os AirPods (2016). Relançou ainda a política de retorno de capital aos accionistas, com a retoma do pagamento de dividendos em 2012, algo que a Apple não fazia desde 1995, e milhares de milhões de dólares em recompra de acções.

Nem tudo correu, porém, sem sobressaltos. O Vision Pro, lançado com grande expectativa, não conseguiu ainda tornar-se um produto de massas, e o projecto de carro autónomo da Apple (“Project Titan”) acabou por ser cancelado após anos de investimento. A abordagem da empresa à inteligência artificial generativa também tem sido considerada mais cautelosa do que a de concorrentes como Google ou Microsoft, um dos principais desafios que Ternus herda.

Quem é John Ternus

Licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia, John Ternus junta-se à Apple em 2001, integrando a equipa de design de produto pouco depois de ter passado pela Virtual Research Systems. Ao longo de 25 anos de casa, foi responsável pelo desenvolvimento de produtos como o Apple Cinema Display e, mais recentemente, liderou como Vice-Presidente Sénior de Engenharia de Hardware o desenvolvimento do iPhone, iPad, Mac, Apple Watch e AirPods, além de áreas como fiabilidade, durabilidade, reparabilidade e materiais com menor impacto de carbono.

Ao anunciar a escolha, Tim Cook não poupou elogios ao sucessor, descrevendo-o como alguém com “a mente de um engenheiro” e “a alma de um inovador”. John Ternus junta-se também hoje ao Conselho de Administração, com Arthur Levinson, presidente não-executivo do Conselho ao longo dos últimos 15 anos, a assumir a partir da mesma data o cargo de director independente principal.

O que muda já esta semana

A entrada em funções de Ternus praticamente coincide com o arranque da temporada de lançamentos da Apple, um dos períodos mais intensos do calendário da empresa. Segundo a Bloomberg, este ano a fasquia está particularmente alta: a linha de produtos deverá incluir o primeiro iPhone dobrável da Apple e um ecrã inteligente capaz de reconhecer quem está a falar e adaptar o conteúdo mostrado, dois projectos que o próprio Ternus liderou ainda como responsável de hardware, antes de subir ao cargo de CEO.

O papel de Tim Cook a partir de agora

Tim Cook não deixa a Apple. Passa a exercer o cargo de Presidente Executivo do Conselho de Administração (executive chairman), mantendo-se envolvido em áreas específicas da empresa, nomeadamente na relação com decisores políticos em todo o mundo. É um modelo de transição que privilegia a continuidade: Cook acompanhou de perto a preparação de Ternus ao longo dos últimos meses, e a Apple tem apresentado a mudança como o resultado de um processo de sucessão cuidadosamente planeado ao longo de vários anos, e não como uma ruptura.

Para os analistas, o desafio de Ternus está menos em manter o ritmo financeiro herdado de Cook, que, por si só, já representa uma fasquia difícil de igualar, e mais em provar que a Apple consegue manter a coerência estratégica e continuar a inovar num momento em que a corrida à inteligência artificial redefine as regras de todo o sector tecnológico.

Redacção: ola@targeting.ao

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