As marcas do sector alimentar e de bebidas estão a mudar de estratégia. Depois de dois anos a apoiarem-se sobretudo em aumentos de preços para enfrentar a inflação e proteger margens, a nova edição do relatório Food & Drink 2026, da Brand Finance, mostra que a base da competição está a deslocar-se para a inovação, a saúde, a conveniência e a confiança do consumidor.
As 100 marcas de alimentação mais valiosas do mundo valem, em conjunto, 278,3 mil milhões de dólares em 2026. As 50 principais marcas de bebidas não alcoólicas somam 170,4 mil milhões de dólares, e as 10 maiores marcas de lacticínios totalizam 50,8 mil milhões de dólares, elevando o valor combinado do sector a 448,7 mil milhões de dólares.
Nestlé lidera, mas a força de marca já tem outro dono
A Nestlé mantém-se como a marca alimentar mais valiosa do mundo, com uma valorização de 23% face ao ano anterior, atingindo 24,6 mil milhões de dólares. Já a Coca-Cola, que continua a ser a marca de bebidas não alcoólicas mais valiosa (46,1 mil milhões de dólares, uma ligeira queda de 1%), perdeu a liderança em força de marca para a chinesa Nongfu Spring, que cresceu 38% em valor, até aos 15,3 mil milhões de dólares, com uma pontuação de 89,8 em 100 no Índice de Força de Marca.
O mesmo padrão repete-se noutras categorias: a brasileira Sadia (93,5 pontos) é hoje considerada a marca alimentar mais forte do mundo, e a indiana Amul (93,0 pontos) lidera entre as marcas de lacticínios, ambas com classificação máxima AAA+.
A ascensão das marcas chinesas
As marcas chinesas ganham peso crescente no sector. A Yili mantém a liderança como marca de lacticínios mais valiosa do mundo (14,5 mil milhões de dólares, +29%), enquanto a Eastroc regista o crescimento mais acentuado entre as bebidas não alcoólicas, mais 62%, até aos 5 mil milhões de dólares, ao expandir-se das bebidas energéticas para bebidas funcionais e electrolíticas.
Categorias em destaque
Entre as bebidas não alcoólicas, a Canada Dry foi a marca que mais cresceu em valor (116%, atingindo 1,1 mil milhões de dólares), prova de que marcas com história ainda podem crescer com boa gestão e inovação. A Innocent, marca de sumos, também se destacou com um crescimento de 60%.
As bebidas funcionais valem hoje, em conjunto, 33,4 mil milhões de dólares, lideradas pela Red Bull (12,3 mil milhões, +27%), seguida da Monster e da Gatorade. Já no segmento de café e chá, que soma 19,4 mil milhões de dólares, a Nescafé continua a ser a marca mais valiosa (5,6 mil milhões, +20%), embora a britânica Yorkshire Tea lidere em força de marca.
A leitura da Brand Finance
Para Henry Farr, responsável global do sector de Alimentação e Bebidas na Brand Finance, o sector está a mudar rapidamente: depois de dois anos em que os aumentos de preços geraram receita sem um correspondente ganho de rentabilidade, as marcas precisam agora de mostrar de onde virá o valor a longo prazo. Segundo Farr, as marcas que se destacam são as que usam portefólios amplos e flexíveis para captar crescimento e defender quota de mercado, e a diversificação tende a ganhar ainda mais importância à medida que tendências como os medicamentos para perda de peso GLP-1 remodelam a procura dos consumidores.
O relatório conclui que, embora escala e história continuem a ser vantagens importantes, as marcas com melhor desempenho são as que combinam uma base de confiança sólida com inovação, diversificação de portefólio e relevância em áreas de crescimento rápido, nutrição funcional, escolhas mais saudáveis e consumo orientado para a conveniência.
Redacção: ola@targeting.ao


