A “publicitária fora da caixa” que habita em Cândida Bastos

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Targeting 30 de Maio, 2023

Uma jovem que sonhava com advocacia mas que foi escolhida pela publicidade. Cândida Bastos é uma verdadeira “publicitária fora da caixa”. Mostra-se uma mulher de várias facetas, pois é co-fundadora da Livraria Virtual, fundadora e criadora de conteúdos da Publiukê, fundadora da Reco & Kitrique, assessora de Comunicação & Marketing, tudo isto atrelado ao actual cargo profissional que ocupa no Instituto Sapiens.

Em entrevista ao TARGETING, Cândida Bastos conta como imergiu ao mundo da publicidade,  a sua trajectória profissional e da sua perspectiva e visão sobre o mercado publicitário angolano.

“Em 2022, acordei num dia qualquer e disse: “ou eu crio a marca hoje ou isso nunca mais acontece”. E assim foi! Troquei várias ideias com amigos próximos e com a minha irmã que ajudaram muito no processo de criação. “Publicidade fora da caixa” porque acredito que a mesmice não impressiona, o diferente e o criativo sim. E se a Publiukê não tivesse essa veia, eu jamais a criaria!”

Fale-nos do seu percurso académico e profissional até chegar a Cândida Bastos que temos hoje?

Estudei em Angola até uma parte do ensino médio, mas em 2009 fui viver na África do Sul, e foi lá onde terminei esse ciclo. Regressei a Luanda com o intuito de fazer Direito, fiz durante algum tempo na Universidade Lusíada, entretanto, percebi que não era o meu universo, como se diz popularmente: “não era a minha praia”. Porém, tive de pensar qual formação iria seguir. Disse aos meus pais que pretendia ir para o Brasil, sendo que era e é um país promissor e muito a frente do seu tempo nas áreas em que estava interessada.

No Brasil, embora tenha passado nas duas universidades onde fiz os testes de admissão, elas não tinham alunos suficientes para formar turmas e aí começa o meu desespero. Entretanto, a universidade onde me formei abriu vagas para o teste de admissão, fiz, passei, graças a Deus não houve nenhum inconveniente e me formei em Publicidade e Propaganda pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais.

Como surgiu esta paixão pela publicidade que consequentemente tornou-se na sua profissão?

Quando fui ao Brasil, a minha lista continha os seguintes cursos: Comunicação Empresarial, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda. Por incrível que pareça, sempre sonhei em ser advogada, queria seguir as pegadas dos meus pais. Mas descobri que a publicidade era o meu mundo, e algo que me motivou ainda mais a fazer foi o facto de uma das minhas irmãs, de quem tanto me orgulho, ser uma marketeer. Isso motivou-me a fazer e dar o melhor de mim. Foi a melhor escolha que fiz, e não me arrependo nem por um segundo. Vou usar uma frase cliché, mas eu digo que “foi a publicidade que me escolheu”.

Das marcas que teve o previlégio de trabalhar enquanto Gestora de Marketing, cite-nos o top 5 das que mais lhe deram prazer em gerir e que de certa forma alavancaram o seu portfólio.

Sem desprimor as outras, cito a Smirnoff, Nestum, Johnnie Walker, Gordon’s e Leite Moça.

Formou-se num mercado com alguma experiência em publicidade. Como tem sido implementar este aprendizado em Angola, visto que as realidades entre os dois mercados são notórias?

Para mim, a melhor forma de contribuir no crescimento deste mercado publicitário no país é sempre lembrar às pessoas da área, e não só, que mais do que fazer um spot, devemos deixar memórias e identificação, atendendo a nossa realidade local. Sem isso não chegaremos longe tão cedo. Há marcas que já perceberam e têm feito muito bem o trabalho de casa, mas ainda há muitas que pecam na comunicação, que definitivamente não se adequam ao nosso mercado.

O que acha que nos falta para igualar ao que já se faz no Brasil, ou em outros mercados?

Comunicar de angolanos para angolanos, investir verdadeiramente no marketing das empresas, permitir que os colaboradores tenham alguma autonomia no trabalho, e a valorização dos quadros “nacionais! Pois, ao contrário do que se diz, temos muitos e excelentes profissionais. Temos que parar com a falsa ideia de que os expatriados são “sempre” melhores que os nacionais.

Fale-nos da Publiukê, como surgiu a ideia, o que tem feito e por que é que usou “Publicidade fora da caixa” como o slogan da marca?

A medida que se aproximava a etapa final da minha formação académica, foi surgindo um desejo de contribuir para o meu país, através do conhecimento. Pensei logo: vou criar um perfil no Instagram onde vou falar sobre publicidade e marketing. Mas infelizmente aconteceram muitas coisas que impediram que a ideia se materializasse. Em 2022, acordei num dia qualquer e disse: “ou eu crio a marca hoje ou isso nunca mais acontece”. E assim foi! Troquei várias ideias com amigos próximos e com a minha irmã que ajudaram muito no processo de criação. “Publicidade fora da caixa” porque acredito que a mesmice não impressiona, o diferente e o criativo sim. E se a Publiukê não tivesse essa veia, eu jamais a criaria!

A ideia era quebrar paradigmas, trazer a publicidade para a nossa realidade e mostrar que é possível fazer um marketing de angolanos para angolanos. Eu falo também do marketing de outras realidades, mas priorizo o de Angola. A frase que me guia é do Sr. Jonas Malheiro Savimbi: “Primeiro o angolano, segundo o angolano”.

Quais características ou habilidades considera essenciais na gestão de uma marca? Como as desenvolve e alimenta regularmente?

Considero a consistência, foco, criatividade, dinamismo, vontade de aprender sempre e não ter medo de errar. Eu desenvolvo essas características com coisas que vejo no dia-a-dia, que ouço e que leio. Tento sempre mesclar coisas populares nossas ao marketing. Também pesquiso muito, pois alguns conteúdos são sobre marcas e isso exige pesquisa para passar informação fidedigna.

A “publicitária fora da caixa” que habita em Cândida Bastos

Co-fundadora da Livraria Virtual, fundadora e criadora de conteúdos da Publiukê, fundadora da Reco & Kitrique, assessora de comunicação e marketing, tudo isto atrelado ao atual cargo profissional que ocupa no Instituto Sapiens. Há limites para mulheres como a Cândida?

Não há limites porque eu acredito que enquanto cá estiver tenho uma missão, tenho sonhos, tenho objectivos e não posso ter crenças limitantes. Eu acredito na grandeza das mulheres e, sempre que posso, incentivo-as e motivo-as para que acreditem nelas mesmas, que não parem de ir atrás dos seus sonhos e que façam as coisas com amor. “Para uma mulher que sabe o que quer e exactamente onde quer chegar, o impossível vira possível.” – Cândida Bastos

Tirando o lado sério que a vida profissional exige, quem é a Cândida depois de desligar o computador e colocar os pés fora do escritório?

A Cândida é a uma bon vivant, adora estar com família e os amigos. Gosta de dança, leitura e música. Adora a sua companhia, pois acha-se uma pessoa com muito boa energia, sempre bem disposta e bem-humorada. Apreciadora de comida, de uma lambreta bem gelada e de uma boa taça de vinho. Adora viajar, gosta de cinema, teatro e praia.

Sente-se uma mulher realizada ou ainda tem metas e sonhos por alcançar?

Ainda há muito por se fazer, não me sinto ainda uma mulher realizada, mas tenho muito orgulho da minha trajectória como profissional e tenho acompanhado a minha evolução com a vontade de ser melhor todos os dias.

Quais são as suas maiores aspirações profissionais?

Abrir uma grande agência com as minhas irmãs, em Angola, que seja reconhecida a nível nacional e internacional. Abrir um instituto de formação na área, mas completamente diferente do conceito tradicional. Algo disruptivo, uma vertente mais de “escola criativa”.

Quais profissionais (nacionais e internacionais) da área em que actua lhe servem de inspiração?

A nível nacional, começo por citar Janaína Carneiro, minha irmã, Mauro Yange, Matamba Kindala António, André Cardiga, Alberto Charamba, Djanira Barbosa, Claudino Fonseca, Edmilton Scuma, Cássia Sephora, Clara Silva, Maria Luísa Fernandes, Natália Timóteo, Eulálio Borges e Jesualdo Muvuma. Quanto a nível internacional, inspiro-me em Washington Olivetto, Hugo Rodrigues, Valério Augusto, Rodrigo Fortini, Jéssica Gomes, Philip Kotler, Paulo Cuenca.

Como gostaria de fechar esta conversa?

Vou apenas deixar uma frase da minha autoria que digo muito e uso também nos conteúdos da Publiukê: “Cria uma legião de fãs que falem apaixonadamente da tua marca”.

Redacção: ola@targeting.ao

Fotografias: Catila Machado

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1 comentário
  • foco,fé e determinação sempre para os próximos passos da tua carreira minha prima do coração com amor deixo aqui o meu comentário. e desejo desde já muitos sucessos sucessivos para Candoca Bastos.um abraço de paz e amor no coração brilha

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