Publicidade

Falar bem não é liderar bem

Targeting
Por Targeting
3 minutos de leitura
Tamanho da Fonte

Há algo que tenho observado cada vez mais no nosso mercado: frequentemente confundimos competência com exposição. Não é raro ver alguém com boa oratória, presença forte no LinkedIn ou domínio do digital ser automaticamente classificado como “grande marketeer”. Fala bem. Aparece. Tem opinião. Logo, é referência.

Mas será que isso basta?

Não estou a desvalorizar quem se expõe. Comunicação é uma competência legítima. Saber estruturar pensamento em público é valioso. O problema começa quando a visibilidade passa a ser o único critério de validação.

E, em boa verdade, marketing não é apenas palco.

É tomar decisões difíceis sobre onde competir e como vencer.
É escolher um posicionamento e assumir o que se perde ao fazer essa escolha.
É transformar entendimento profundo do consumidor numa proposta de valor clara.
É alinhar produto, preço, distribuição e comunicação com essa proposta.
É garantir que aquilo que prometemos é sustentado pela operação.
É medir, ajustar e assumir responsabilidade pelos resultados.

É isso, e muito mais.

Grande parte desse trabalho não é filmável. Não é “sexy”. Mas é aqui que o jogo se ganha ou se perde.

O mercado angolano tem uma particularidade: ainda estamos a construir critérios. E quando os critérios são frágeis, o que aparece mais alto é o que parece maior. Visibilidade torna-se sinónimo de autoridade. Autoridade torna-se sinónimo de competência.

E, no entanto, há profissionais extraordinários (estratégicos e profundos) que não procuram palco. São menos extrovertidos. Mais reservados. Preferem o trilho do trabalho ao ruído da exposição. E, paradoxalmente, são muitas vezes os que sustentam as marcas que admiramos.

Ao mesmo tempo, é verdade: nem todo o profissional silencioso é brilhante. Discrição não é sinónimo de profundidade. Tal como boa oratória não é sinónimo de superficialidade.

A questão não é atacar quem aparece. A questão é perguntar, de forma genuína: com que critérios estamos a avaliar aquilo que consumimos?

Se amanhã tivéssemos de escolher quem lidera marketing numa empresa (grande ou pequena) em Angola, escolheríamos quem fala melhor ou quem executa melhor? Quem tem histórico de resultados ou quem tem maior presença digital?

E há ainda uma pergunta mais ousada: se alguém é realmente excelente, porque não cria mecanismos para que o mercado compreenda o seu valor?

Talvez o verdadeiro desafio não seja escolher entre exposição e profundidade. Talvez seja integrá-las, cada um à sua maneira.

Precisamos de marketeers que reflictam mais antes de falar. E de marketeers que mostrem mais antes de ensinar.

Mas também precisamos que os bons elevem o debate, documentem processos, expliquem o raciocínio, mostrem como chegaram às decisões.

O contraponto é simples: estamos a construir e a admirar profissionais íntegros ou apenas performers?

David Moisés

Estratega de Marcas e Negócios

Compartilhe este artigo

Publicidade

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *