A Revolut recebeu uma aprovação condicional preliminar da Office of the Comptroller of the Currency (OCC), o regulador bancário federal norte-americano, para a criação de uma licença bancária nacional que permitiria constituir o Revolut Bank US, National Association. A decisão representa um passo relevante na estratégia da fintech britânica para operar como banco totalmente licenciado nos Estados Unidos da América.
A aprovação não permite, para já, que a Revolut comece a aceitar depósitos ou a conceder crédito. Trata-se de um “sinal verde organizacional”, nas palavras usada pela imprensa especializada. A empresa ainda tem de cumprir um conjunto de condições estabelecidas pela OCC, obter seguro de depósitos da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), garantir a aprovação da Reserva Federal, e receber a autorização final da própria OCC antes de o banco poder abrir portas.
“Um primeiro passo importante”
Nik Storonsky, cofundador e CEO da Revolut, classificou a decisão da OCC como “um primeiro passo importante rumo à construção do Revolut Bank US e à entrega do conjunto completo de produtos da empresa no maior mercado financeiro do mundo”.
Segundo a empresa, a candidatura para a licença bancária norte-americana foi submetida em Março de 2026, depois de a Revolut ter abandonado uma ideia anterior de adquirir um banco já estabelecido nos Estados Unidos. A companhia mantém-se, para já, dentro do calendário previsto para um lançamento no primeiro semestre de 2027, segundo os seus responsáveis.
O que muda com uma licença bancária própria
Actualmente, a Revolut opera nos Estados Unidos através de bancos parceiros, um modelo comum entre fintechs que ainda não têm licença bancária própria. Uma licença nacional permitiria à empresa deter depósitos com garantia da FDIC, conceder crédito directamente e operar sob um único enquadramento federal nos 50 estados norte-americanos, em vez de depender de um conjunto fragmentado de acordos estatais e parcerias bancárias.
O banco proposto terá sede em Stamford, no Connecticut, com um investimento de capital inicial de cerca de 95 milhões de dólares e um quadro de colaboradores estimado em cerca de 160 pessoas. Segundo a empresa, uma vez concluído o processo regulatório, o Revolut Bank US deverá oferecer contas correntes, empréstimos, cartões de crédito e serviços de câmbio, mantendo também acesso a stablecoins e criptomoedas, a Revolut confirmou ainda a intenção de lançar uma stablecoin própria, sem detalhes adicionais avançados até ao momento.
Parte de uma expansão bancária global
A aprovação da OCC surge no âmbito de uma expansão internacional mais ampla da Revolut, que obteve licenças bancárias na França, Austrália e Reino Unido ao longo de 2026, para além de uma licença de pagamentos nos Emirados Árabes Unidos. A empresa tem também processos em curso em mercados como o Brasil, a Colômbia, o Peru e a Argentina, e lançou recentemente operações bancárias no México.
Apesar dos avanços recentes, o processo nos EUA está longe de concluído. Faltam três aprovações regulatórias distintas (FDIC, Reserva Federal e autorização final da OCC), sem que nenhuma das partes envolvidas tenha avançado publicamente uma data para essas decisões.
Redacção: ola@targeting.ao


