De Benguela para o mundo, passando pelas cozinhas mais exigentes de Portugal e Espanha, Helt Araújo regressou a Angola com uma visão clara: construir um grupo empresarial gastronómico com identidade própria, enraizado na cultura angolana e projectado para o futuro. Cinco anos depois do arranque, o Grupo Chef Helt Araújo (Grupo CHA) conta com 150 colaboradores, oito marcas e projectos em diferentes segmentos, da aviação privada à restauração de assinatura, passando pela gestão hospitalar, logística e fundações culturais. Esta é a história de um percurso construído com consistência, estratégia e uma convicção inabalável: o caminho faz-se caminhando.
Das cozinhas europeias ao mercado angolano
Nascido em Benguela no final da década de 70, Helt Araújo formou-se pela Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, uma das mais prestigiadas instituições do sector em Portugal. A formação académica foi apenas o ponto de partida de um percurso profissional marcado pela exigência e pela escolha deliberada de ambientes de alta performance.
Em Portugal, passou pela Bica do Sapato, referência da gastronomia lisboeta, e pelas cozinhas do Hotel Ritz e do Hotel Fortaleza do Guincho, dois estabelecimentos de cinco estrelas com reputação internacional. A experiência europeia culminou em Espanha, no Hacienda Benazuza El Bulli, restaurante associado ao mítico El Bulli de Ferran Adrià, um dos mais influentes da história da gastronomia mundial.
De regresso a Angola, integrou o restaurante Coconut do Grupo Compass, do Complexo Hoteleiro da Endiama e o restaurante do Hotel Loanda. Foram experiências que consolidaram o conhecimento do mercado local antes de dar o passo definitivo para a independência empresarial. O Guapa Catering foi o seu primeiro projecto a solo e o embrião do que viria a ser o Grupo CHA.
“Sou um angolano de alma e coração, natural de Benguela, orgulhoso das minhas raízes e fiel aos meus ideais, com ou sem a jaleca, dentro e fora da cozinha.”
O Grupo CHA: arquitectura de um ecossistema empresarial
O Grupo CHA não nasceu de um plano de negócios desenhado antecipadamente. Nasceu da necessidade. O projecto surge da necessidade de valorizar o conhecimento acumulado sobre gastronomia e de gerir os interesses comerciais da marca Chef Helt Araújo. Foi uma construção orgânica, progressiva e deliberada: cada novo projecto só avança depois de o anterior ter atingido um patamar de sustentabilidade.
Em cinco anos, o Grupo passou de uma estrutura de quatro pessoas para uma organização com 150 colaboradores directos, operando em múltiplos segmentos do sector alimentar e gastronómico. O crescimento, porém, não foi linear nem isento de desafios. A escassez de quadros qualificados no país obrigou a um investimento contínuo e intenso em formação, incluindo formação on job — transformando uma limitação estrutural do mercado numa oportunidade de diferenciação interna.

Oito marcas, uma identidade
A diversificação do Grupo CHA é simultaneamente uma estratégia de resiliência e uma expressão da polivalência do seu fundador. Cada marca foi concebida para operar de forma autónoma no seu posicionamento, mantendo como denominador comum os pilares filosóficos do Grupo: compromisso, honra e autenticidade.
O Catering Palatum Por Helt Araújo é o projecto mais diferenciado do portefólio : um serviço de catering para aviação privada, onde a experiência gastronómica a bordo é elevada ao mesmo nível de exigência de um restaurante de assinatura. O Flor do Duke Por Chef Helt Araújo, situado na Ilha de Luanda, é o primeiro restaurante de assinatura do Grupo, com um conceito de experiência casual inspirado no património cultural angolano e na história do Namibe. A Nativu assegura a componente de organização de eventos.
Em desenvolvimento, o Q88 ambiciona criar um espaço de lazer familiar inspirado no conceito de praça alimentar cultural, integrado com campo de Padel, também na Ilha de Luanda. O Xé Nu Por Chef Helt Araújo, descrito pelo próprio como “arrojado e disruptivo”, está igualmente em construção. A parceria com a Clínica General Katondo dedica-se à gestão alimentar hospitalar, e a CHA Logística, o projecto mais recente, visa fortalecer toda a cadeia de abastecimento interna do Grupo.
“O Grupo CHA tem as suas crenças e os seus processos, que geram o nosso próprio DNA, e não existem DNAs iguais.”
Sucesso é consistência versus criatividade
Para Helt Araújo, a definição de sucesso na gastronomia não é intuitiva, é técnica. “O sucesso é consistência versus criatividade. Quando conseguimos ser consistentes no processo global entre cozinha e sala e, ao mesmo tempo, estarmos na linha da frente da inovação, gastronómica, tecnológica, de processos e métodos, isso é ter sucesso nesta área”, defende.
Esta visão reflecte-se na forma como o Grupo aborda a gestão de cada marca: com “processos rigorosos, formação contínua das equipas e uma cultura organizacional baseada em valores claros”. O contexto macroeconómico angolano, com inflação acima dos 25% e erosão significativa do poder de compra, exige ainda maior robustez. A resposta do Grupo tem sido a diversificação de segmentos e a solidez das bases como condição para qualquer nova expansão.
Ovina Yetu: o projecto que é maior do que ele
Se há um projecto que sintetiza a missão e os valores de Helt Araújo, esse projecto é a Fundação Ovina Yetu. Nascida de uma pesquisa incessante sobre a gastronomia angolana, reúne uma equipa multidisciplinar (sociólogos, biólogos, engenheiros alimentares, antropólogos, especialistas em ciências botânicas e profissionais de comunicação) numa missão simultaneamente cultural, científica e económica.
O objectivo é valorizar os produtos locais, promover práticas de produção sustentáveis, preservar a biodiversidade e a diversidade sociocultural de Angola, e traçar o panorama alimentar dos povos do país. “Temos de evoluir no nosso processo gastronómico, mas para isso temos de perceber a nossa essência, as nossas histórias como um povo gastronómico. Só assim é possível fazer um processo evolutivo com bases sólidas“, explica.
“O meu projecto de vida é, sem dúvida, a Fundação Ovina Yetu, pelo legado que queremos construir numa Angola que precisa cada vez mais de documentar o seu potencial, seja na gastronomia, na arte ou no humanismo. Este projecto já é maior do que eu”.
2025: Consolidação, Crescimento e Novos Horizontes
No ano de 2025, o Grupo CHA teve um crescimento de 35%, sustentado pela consolidação dos projectos existentes e no arranque operacional de novas iniciativas. O foco estratégico recaiu sobre a CHA Logística e o Q88. Em 2026 há a possibilidade de um novo restaurante a figurar igualmente na agenda, sempre sujeita ao critério que tem guiado toda a trajectória do Grupo: a sustentabilidade dos projectos anteriores como condição para o passo seguinte.
O maior obstáculo continua a ser a escassez de recursos humanos qualificados — um desafio estrutural do mercado angolano. A resposta tem sido o investimento sistemático em formação, convertendo a limitação numa vantagem competitiva interna.
“O caminho faz-se caminhando”. Este lema, que Helt Araújo adoptou para o Grupo CHA, é também o melhor retrato de uma trajectória empresarial construída com método, visão e uma ligação profunda à identidade angolana. Num mercado exigente e volátil, o Grupo CHA afirma-se como um caso de referência de empreendedorismo gastronómico sustentado, e Helt Araújo como um dos seus mais determinados construtores.
Patrocinada pela ÁUREA – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, S.A., a primeira sociedade de valores mobiliários de Angola, e apoiada pela Axentis Advisory, Delta Q Angola e Duo Films, a rubrica WINNERS destaca os jovens que estão a marcar a actualidade do empreendedorismo em Angola.



