Publicidade

Ajudar a potencializar uma marca com mais de 10 milhões de “fãs”: Marco Francisco do Petro de Luanda em primeiro plano

Targeting
Por Targeting
16 minutos de leitura
Tamanho da Fonte

O Petro de Luanda atravessa uma das fases mais estruturantes da sua história recente. Com uma base de adeptos estimada em 10 milhões e presença consolidada nas principais competições africanas nas modalidades nucleares, o clube deixou de se concentrar apenas no desempenho desportivo e passou a operar como uma organização orientada por dados, processos e estratégia de marca. Nos bastidores, decorre uma transformação que envolve digitalização, reconfiguração do relacionamento com adeptos, profissionalização de parcerias e criação de novas fontes de receita.

Por detrás dessa mudança está uma equipa multidisciplinar liderada nas áreas Comercial, Marketing e Negócios por Marco Francisco, profissional com mais de duas décadas e meia de experiência acumulada em cargos de direcção em contextos nacionais e internacionais. O seu percurso profissional caracteriza-se pela transversalidade sectorial e pela consistência estratégica. Licenciado em Marketing e Gestão Comercial, com pós-graduação em Gestão de Marketing, construiu carreira nos sectores do grande consumo, da indústria, da saúde e, mais recentemente, do desporto, combinando visão de negócio, execução operacional e desenvolvimento de marcas.

O percurso de Marco Francisco começou em Portugal, no sector das bebidas, onde exerceu funções de Brand Manager e progrediu para posições de Direcção Comercial e Marketing num mercado altamente competitivo. Em 2007 mudou-se para Angola a fim de integrar os quadros da Refriango, uma das maiores empresas do sector das bebidas do país, onde permaneceu até 2012 com responsabilidades de elevada exigência. Nesse mesmo ano enveredou pelo empreendedorismo com a criação das Clínicas Bom Senso, projecto no sector da saúde no qual continua accionista e administrador não executivo. A experiência internacional prosseguiu em 2015 como Country Manager da multinacional espanhola Estrella Damm em Angola e aprofundou-se em 2017 na liderança da Abricome e Frami como director-geral, com foco em gestão industrial e operações de escala.

A aproximação definitiva ao desporto surgiu em 2019 com a fundação da Hattrick, empresa de marketing desportivo e consultoria estratégica. Entre 2020 e 2022 integrou, através dessa estrutura, um projecto internacional em parceria com a LaLiga centrado na organização e no modelo de negócio do Petro de Luanda. Concluída a consultoria, recebeu o convite para permanecer no clube e liderar uma transformação integrada orientada para a profissionalização, a sustentabilidade e a valorização da marca.

Marco explica que a preparação para assumir funções no desporto resulta de uma ligação antiga ao futebol e de um estudo sistemático da indústria. Durante anos acompanhou estratégias comerciais e modelos de activação de clubes internacionais por entender o desporto como um dos sectores com maior fidelização emocional de consumidores. Essa curiosidade traduziu-se num acompanhamento de dezenas de clubes a nível mundial, com foco em comunicação, modelos de negócio e relacionamento com adeptos, leituras que considera determinantes para adaptar boas práticas internacionais à realidade angolana.

Marco Francisco, Director Comercial, Marketing e Negócios do Petro de Luanda

Ao aceitar o desafio no Petro, afirma ter encontrado “uma liderança com visão estratégica clara”. Destaca o Presidente Tomás Faria como um dirigente com capacidade de mobilizar a estrutura em torno de objectivos comuns e considera essa coerência essencial num clube com a dimensão e a história do Petro. Internamente identificou equipas disponíveis para evoluir, embora os principais obstáculos se situassem fora da organização. O ecossistema desportivo nacional permanece, segundo observa, “pouco profissionalizado em vários domínios e apresenta resistências a dinâmicas modernas de gestão”.

O ponto de partida da intervenção foi a necessidade de compreender a base de adeptos. A chamada Nação Tricolor, estimada em cerca de 10 milhões de pessoas, passou a ser tratada como activo central. A ausência de dados e segmentação constituía uma limitação estratégica, pelo que a prioridade inicial consistiu em mapear quem são os adeptos, onde se encontram e como interagem com o clube. Marco resume esse momento como decisivo ao afirmar que saber quem são os adeptos representou o início de toda a transformação. “O objectivo central foi sempre o mesmo: melhorar a experiência, reforçar o orgulho de pertença e aprofundar a ligação emocional ao clube”, completa.

Dessa leitura resultou uma reorganização operacional assente na reestruturação da comunicação, na digitalização da experiência e no desenvolvimento de produtos segmentados. Implementou-se uma direcção de marca com normas visuais e editoriais rigorosas e conteúdos orientados por perfis específicos, o que permitiu substituir mensagens genéricas por comunicação dirigida e criar condições para monetização.

A bilhética digital, através da plataforma PetroTickets, simplificou a aquisição de ingressos e reduziu fraudes, enquanto iniciativas como fan zones, Tchilos do Petro e a oferta premium Petro Corporate alargaram a experiência de jogo a públicos diferenciados. Em paralelo, o Petrolinho, marca dirigida ao segmento infantojuvenil, passou a funcionar como instrumento de ligação afectiva e geração de novas linhas de produto. “No fim do dia, a inovação no Petro resultou de uma mudança de mentalidade: deixar de falar apenas para adeptos e começar a construir relações duradouras com públicos, tratando o adepto como o centro da estratégia e não apenas como espectador”, fundamenta.

A projecção internacional acompanha essa profissionalização. A presença em competições africanas ampliou a visibilidade do clube, mas Marco Francisco sustenta que a afirmação externa depende igualmente de organização e credibilidade institucional. Inovações como o Código Petro, que integra QR codes no equipamento oficial e liga a camisola ao ecossistema digital, exemplificam a tentativa de combinar identidade e tecnologia para criar pontos de contacto mensuráveis.

O mesmo princípio orienta a relação com parceiros. O clube adoptou um modelo de ecossistema de valor no qual patrocinadores participam em projectos conjuntos com objectivos partilhados e reporting estruturado.

Em ritmo alto, o clube anunciou ao longo dos últimos tempos diversas parcerias estratégicas. Só a título de exemplo, selou “o maior contrato de patrocínio alguma vez assinado no basquetebol nacional” com o Banco Millenium Atlântico e estabeleceu com o Ministério do Turismo uma parceria que toma o desporto como ferramenta de comunicação e valorização turística, passando a erguer o logótipo da iniciativa “Visit Angola” nas suas camisolas para a Liga dos Campeões. “Hoje, as parcerias do Petro de Luanda são encaradas como parte integrante de um ecossistema de valor, e não apenas como acordos de patrocínio tradicionais. Cada parceiro tem um acompanhamento próximo, estruturado e contínuo”, reforça o responsável.

Quando se recua no tempo, encontra-se a parceria com a FAST, empresa angolana especializada no fabrico de equipamento desportivos que desde 2023 produz de forma exclusiva os equipamentos do Petro de Luanda em diversas modalidades chaves. “A parceria com a FAST nasce precisamente dessa visão estratégica: crescer em conjunto, criar valor local e provar que é possível desenvolver produtos de elevada qualidade a partir de Angola”, destaca Marco Francisco.

Do ponto de vista operacional e estratégico, esta parceria trouxe vantagens muito claras para o Petro. O clube passou a ter acesso a equipamentos produzidos quase em regime “just in time”, com design personalizado, qualidade elevada e factores diferenciadores, a preços competitivos quando comparados com os mercados internacionais. Isto permitiu ao Petro lançar edições limitadas, colecções especiais e experiências associadas ao merchandising, sem necessidade de investimentos elevados em grandes volumes ou de recorrer a soluções standardizadas de catálogo.

Marco Francisco, Director Comercial, Marketing e Negócios do Petro de Luanda

A responsabilidade social foi organizada em três pilares, Ambiente, Educação e Saúde, e condiciona projectos à capacidade de gerar impacto mensurável. Iniciativas como Carbono Azul e EcoPetro utilizam a marca como instrumento de responsabilidade pública e reforçam a presença do clube no espaço cívico.

No plano financeiro persiste o desafio da autonomia. Em mercados maduros, observa Marco, receitas provenientes de direitos televisivos, transferências e bilhética sustentam grande parte da actividade, enquanto em Angola essas fontes ainda são limitadas. O Petro investe por isso em merchandising, experiências, parcerias e produtos licenciados para reduzir dependência da casa-mãe Sonangol, numa lógica em que autonomia financeira e desempenho desportivo se reforçam mutuamente.

Os efeitos da intervenção tornaram-se gradualmente visíveis. O primeiro ano foi marcado por trabalho estrutural intenso e ausência de resultados imediatos, o que exigiu resiliência e confiança estratégica. Hoje, com a organização alinhada e indicadores tangíveis de evolução, Marco considera validado o rumo adoptado.

A transformação em curso procura converter activos intangíveis, identidade, história e ligação emocional dos adeptos, em processos operacionais e produtos mensuráveis, consolidando o Petro como uma organização desportiva orientada para sustentabilidade e projecção internacional.

Redacção: ola@targeting.ao

Fotografias: Duo Films

Compartilhe este artigo

Publicidade

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *